“Pauta das mulheres é uma questão de toda a sociedade”, diz Edna
Por: Neusa Baptista Pinto

Para a candidata a deputada estadual Edna Sampaio (PT), a garantia e a defesa dos direitos das mulheres vão além de um debate restrito à condição feminina e às próprias mulheres.
Essa pauta diz respeito a toda a sociedade e está diretamente relacionada à estrutura social, à distribuição do poder e à capacidade do Estado de proteger os grupos em situação de maior vulnerabilidade.
Em Mato Grosso, as mulheres são maioria do eleitorado desde 2019. Nas eleições de 2026, representam 51% das pessoas aptas a votar no Estado, o equivalente a 1,3 milhão de eleitoras. A presença majoritária nas urnas, porém, ainda não se reflete na mesma proporção entre as candidaturas e nos espaços de decisão política.
Nas eleições gerais de 2026, as mulheres correspondem a 34,85% das candidaturas consideradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o cálculo da distribuição dos recursos públicos, contra 65,15% de candidaturas masculinas. Foram contabilizadas 7.165 candidaturas de mulheres e 13.395 de homens nesse recorte.
A sub-representação se mantém nos espaços de poder: mulheres seguem ocupando uma parcela menor dos cargos eletivos no Executivo e no Legislativo.
“Esta pauta não é de mulheres para mulheres. É uma pauta de toda a sociedade, porque quando as mulheres têm seus direitos garantidos, quando vivem sem violência e participam dos espaços de decisão, toda a sociedade avança”, disse Edna.
Nesse cenário de maioria entre os eleitores e menor presença nos espaços de decisão, ela avalia que as mulheres estão mais conscientes de sua força política e das questões que afetam diretamente suas vidas.

Para ela, essa percepção tem ficado evidente nas atividades de rua que vem realizando durante a campanha. Segundo ela, o contato direto com as mulheres tem revelado histórias de resistência e uma preocupação crescente com a violência contra as mulheres, especialmente diante dos casos de feminicídio registrados em Mato Grosso.
“É incrível como percebemos que as mulheres estão muito conscientes, estão incomodadas com essa situação do feminicídio em Mato Grosso e este tema é o que mais está atraindo a atenção das mulheres porque elas querem viver, querem paz, um mundo melhor”, disse.
A participação política das mulheres, segundo Edna, vai muito além da presença nas eleições, seja como eleitoras ou candidatas. A participação política das mulheres, segundo Edna, vai muito além da presença nas eleições, seja como eleitoras ou candidatas.
Ela envolve também a participação nos movimentos sociais, nas organizações comunitárias, nos espaços de debate, na fiscalização das ações do poder público e na ocupação dos diferentes espaços onde são tomadas decisões que afetam a vida da sociedade.
“As mulheres sabem muito bem quem defende as mulheres, quem faz da defesa da vida das mulheres o centro de sua campanha, quem vai para a Assembleia Legislativa pautar o feminicídio como uma questão fundamental. Quem cobra das autoridades políticas públicas e faz da sua vida o testemunho da luta que todas nós precisamos travar”, afirmou.
A candidata relaciona essa discussão à proposta de construção de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Mato Grosso voltada à criação de mecanismos permanentes de proteção às mulheres, ao enfrentamento da desigualdade de gênero e à ampliação da participação feminina nos espaços de decisão.
Para Edna, discutir a participação das mulheres significa também questionar um modelo de sociedade que historicamente mantém determinados grupos afastados dos espaços de decisão.
“A única forma de romper com este ciclo de poder nas mãos de um único tipo humano é nos levantarmos para colocar nos espaços de poder mulheres comprometidas com a pauta da classe trabalhadora e do povo”, disse.
Trajetória política marcada pela resistência
A trajetória política de Edna Sampaio também é marcada por disputas em torno de sua permanência nos espaços institucionais.
Primeira mulher negra eleita vereadora em Cuiabá, ela teve o mandato injustamente cassado pela Câmara Municipal em outubro de 2023, em um processo baseado em notícias falsas referentes ao uso da verba indenizatória de seu gabinete.
A defesa de Edna contestou as acusações e apontou diversas irregularidades no andamento do processo, destacando a prática de violência política de gênero e ataques ao seu direito de defesa. Em novembro daquele ano, a Justiça reconheceu o cerceamento e anulou a cassação. Com a decisão, Edna retornou ao cargo.
Mas em março de 2024, foi aberto na Câmara um novo processo contra Edna relacionado à mesma falsa acusação. O mandato voltou a ser injustamente cassado em junho daquele ano, em decisão que também estabeleceu a inelegibilidade de Edna.
O segundo processo também foi questionado na Justiça pela defesa da então vereadora. Em dezembro de 2025, a 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Mato Grosso anulou o processo administrativo que havia resultado na segunda cassação. O julgamento considerou que houve cerceamento de defesa e afastou os efeitos da cassação e da inelegibilidade.
Em fevereiro de 2026, o TJMT manteve a anulação da cassação ao rejeitar recurso apresentado pela Câmara Municipal.
Nesse período, Edna manteve sua atuação política e ampliou sua presença política ao assumir vaga no Legislativo Estadual, em agosto de 2025.

Na Assembleia Legislativa, presidiu a Câmara Setorial Temática sobre Feminicídio, criada para aprofundar a discussão sobre as causas dos feminicídios e analisar as responsabilidades e falhas das políticas públicas de proteção às mulheres.
O trabalho reuniu representantes de instituições públicas, movimentos sociais, universidades e sociedade civil, além de promover debates e ouvir mulheres em diferentes municípios. Ao final, o grupo produziu um relatório com diagnóstico sobre os problemas da rede de proteção e recomendações para o poder público.
A proposta de PEC à Constituição de Mato Grosso, apresentada por Edna, dá continuidade a esse processo, buscando transformar os diagnósticos e demandas identificados ao longo dessa construção em mecanismos permanentes de proteção às mulheres e de promoção da igualdade de gênero em Mato Grosso.
Leia mais sobre a PEC aqui: https://deputadapelasmulheresvivas.com.br/





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