Edna é a favor do respeito às religiões de matriz africana
Atualizado: há 11 horas
Por: Neusa Baptista Pinto
A defesa da liberdade religiosa e o combate ao racismo religioso estão entre as pautas defendidas pela candidata Edna Sampaio (PT). Para ela, enfrentar o racismo significa também combater o preconceito contra as diferentes expressões da cultura negra, incluindo as religiões de matriz africana.

Negra, Edna afirma que essa é uma questão que também atravessa sua própria trajetória e que ela conhece os efeitos do racismo a partir da experiência vivida. Para a candidata, as religiões de matriz africana têm a mesma legitimidade que qualquer outra expressão religiosa e devem ter garantido o direito de existir e se manifestar livremente.
“Compreendi, ao longo da minha vida, que combater o racismo é também combater todas as formas de preconceito contra as expressões da cultura negra. As religiões de matriz africana são tão importantes e válidas quanto qualquer outra e devem ser respeitadas da mesma forma”, afirma.
Edna critica o fato de que, no Brasil, grupos sociais ainda precisem lutar pelo direito de dedicar-se à sua prática religiosa. Para ela, a discriminação contra essas religiões também representa uma forma de racismo que precisa ser enfrentada pelas instituições públicas e pela sociedade.
“É inadmissível que no Brasil ainda tenhamos que lutar para que determinados grupos sociais tenham o direito de exercer a sua religiosidade. Lutar contra o racismo é também lutar contra a discriminação e o preconceito contra as religiões de matriz africana”, destaca.
A candidata afirma que, caso eleita deputada estadual, pretende atuar no combate ao racismo em suas diferentes manifestações, incluindo o racismo religioso. A proposta, segundo Edna, passa também pela valorização da história, da memória e das manifestações culturais da população negra.
“Como deputada estadual, atuarei firmemente no combate ao racismo em todas as suas formas, entre elas o racismo religioso. Precisamos preservar a nossa história, a nossa memória e o nosso direito à expressão da nossa cultura religiosa”, afirma Edna.
Trajetória política marcada pela resistência e combate ao racismo
Primeira mulher negra eleita vereadora por Cuiabá, durante sua atuação Edna colocou no centro do mandato pautas relacionadas ao combate ao racismo, à valorização da cultura negra e ao respeito às religiões de matriz africana.

Abriu espaço institucional para o diálogo com representantes dessas religiões e para a discussão sobre o racismo religioso e a liberdade de crença, sendo uma das autoras da lei que criou o Estatuto Municipal de Promoção e Igualdade Racial.
Sua atuação nessa área está relacionada à compreensão de que o combate ao racismo envolve também a defesa das diferentes expressões da cultura negra. Edna sustenta que as religiões de matriz africana devem ter o mesmo respeito e reconhecimento assegurados às demais religiões e que o poder público tem responsabilidade no enfrentamento à discriminação e ao preconceito religioso.
Mas a trajetória política de Edna Sampaio também é marcada por disputas em torno de sua permanência nos espaços institucionais. Teve o mandato injustamente cassado pela Câmara Municipal em outubro de 2023, em um processo baseado em notícias falsas referentes ao uso da verba indenizatória de seu gabinete.
A defesa de Edna contestou as acusações e apontou diversas irregularidades no andamento do processo, destacando a prática de violência política de gênero e ataques ao seu direito de defesa. Em novembro daquele ano, a Justiça reconheceu o cerceamento e anulou a cassação. Com a decisão, Edna retornou ao cargo.
Mas em março de 2024, foi aberto na Câmara um novo processo contra Edna relacionado à mesma falsa acusação. O mandato voltou a ser injustamente cassado em junho daquele ano, em decisão que também estabeleceu a inelegibilidade de Edna.
O segundo processo também foi questionado na Justiça pela defesa da então vereadora. Finalmente, em dezembro de 2025, a 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Mato Grosso anulou o processo administrativo que havia resultado na segunda cassação. O julgamento considerou que houve cerceamento de defesa e afastou os efeitos da cassação e da inelegibilidade.
Em fevereiro de 2026, o TJMT manteve a anulação da cassação ao rejeitar recurso apresentado pela Câmara Municipal.
Nesse período, Edna manteve sua atuação e ampliou sua presença política ao assumir vaga no Legislativo Estadual, em agosto de 2025.
Na Assembleia Legislativa, presidiu a Câmara Setorial Temática sobre Feminicídio, criada para aprofundar a discussão sobre as causas dos feminicídios e analisar as responsabilidades e falhas das políticas públicas de proteção às mulheres.
O trabalho reuniu representantes de instituições públicas, movimentos sociais, universidades e sociedade civil, além de promover debates e ouvir mulheres em diferentes municípios. Ao final, o grupo produziu um relatório com diagnóstico sobre os problemas da rede de proteção e recomendações para o poder público.
A proposta de PEC à Constituição de Mato Grosso, apresentada por Edna, dá continuidade a esse processo, buscando transformar os diagnósticos e demandas identificados ao longo dessa construção em mecanismos permanentes de proteção às mulheres e de promoção da igualdade de gênero em Mato Grosso.
Leia mais sobre a PEC aqui: www.deputadapelasmulheresvivas.com.br





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