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edna sampaio falando ao microfone

"Desenvolvimento precisa ser pensado do ponto de vista da população excluída"

há 13 horas
3 min de leitura

Por: Neusa Baptista Pinto


Durante entrevista à rádio Bom Jesus de Cuiabá, nesta sexta-feira (18), a candidata a deputada estadual Edna Sampaio (PT)  afirmou que o desenvolvimento econômico de Mato Grosso precisa ser pensado também à partir da realidade da população socialmente excluída. 


Segundo ela, atualmente, as classes mais altas e o agronegócio ocupam os principais espaços de poder e, por isso, têm maior capacidade de fazer com que suas demandas sejam atendidas.



Na avaliação da candidata, essa concentração de poder ajuda a explicar o modelo de desenvolvimento adotado no Estado, baseado na valorização das commodities em detrimento de outras atividades econômicas, como a agricultura familiar, por exemplo.


Edna defende ainda a ampliação dos investimentos no turismo, destacando a diversidade cênica e as belezas naturais de Mato Grosso como um ativo que não estaria sendo suficientemente aproveitado. 


Outra possibilidade apontada por ela está na produção cultural e nas artes como forma de desenvolver a economia da cultura e transformá-la também em um ativo econômico.


“Para isso, tem que ter olhares diferentes no poder; se a gente só elege homens que são empresários ou se tornam empresários depois que chegam no poder, teremos um só olhar sobre a realidade de Mato Grosso. Por isso, eu defendo tanto que mulheres trabalhadoras sejam também participantes da construção do nosso Estado”, destacou.

Ela apontou a contribuição das artes para o desenvolvimento econômico, defendendo o fortalecimento da produção cultural, incluindo audiovisual, teatro, cinema e manifestações culturais periféricas, como o hip hop. 


Na avaliação da candidata, a cultura, além de sua importância social, pode gerar novas possibilidades de desenvolvimento e de distribuição de riqueza.


“Precisamos cuidar dessa gente, porque isso também é riqueza, isso também pode nos indicar possibilidades econômicas que não são de concentração de riqueza”, afirmou.

Uma trajetória de superação


A trajetória de Edna também é marcada por um período de intenso enfrentamento político. Em 2023, quando era vereadora por Cuiabá, foi injustamente alvo de um primeiro processo de cassação, baseado em falsas acusações de suposta prática de “rachadinha” e de uso da verba indenizatória de sua então chefe de gabinete.


Edna sempre negou as acusações e denunciou perseguição política e violações ao seu direito de defesa. O caso teve ampla repercussão na imprensa local e provocou gravíssimo desgaste de sua imagem pública.


Mas a verdade prevalece. Posteriormente, a Justiça reconheceu o cerceamento de defesa e anulou a cassação, permitindo seu retorno ao cargo.


O episódio, porém, não encerrou o enfrentamento. Em março de 2024, foi alvo de novo processo de cassação, sob as mesmas falsas acusações e, em junho, foi novamente cassada, ficando impedida de disputar as eleições municipais de 2024 em razão da inelegibilidade decorrente da decisão.


A verdade tarda, mas não falha. Em dezembro de 2025, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso anulou o segundo processo de cassação, reconhecendo cerceamento de defesa e afastando os efeitos da inelegibilidade.


Mesmo diante da exposição pública, das críticas e dos impactos políticos e pessoais dos dois processos, Edna manteve sua atuação política.


Em agosto de 2025, ocupou o cargo de deputada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, onde ampliou sua atuação na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento da violência de gênero.


Como presidenta da Câmara Setorial Temática (CST) sobre Feminicídio, coordenou um trabalho que resultou em relatório final com diagnóstico das falhas estruturais do poder público na proteção das mulheres e recomendações para fortalecer as políticas de prevenção e enfrentamento à violência.


É nesse percurso que se insere a proposta de construção de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) à Constituição de Mato Grosso, para incluir no texto constitucional o combate à desigualdade de gênero como política permanente de Estado e ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão.


A proposta representa o desdobramento de uma trajetória de enfrentamento e superação e de defesa da democracia, da participação popular e da proteção das mulheres.


 
 
 

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