Vereadora registra B.O. e relata medo: "Não ando mais sozinha"




Após ser atacada nas redes sociais e ameaçada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a vereadora de Sinop, Professora Graciele (PT), afirmou que não tem mais andado sozinha e nem saído à noite por temer por sua segurança.


A vereadora foi até a delegacia do Município registrar um boletim de ocorrência um dia depois de receber ameaças de morte por bolsonaristas. Além disso, entrou com um pedido no Ministério Público Federal em Mato Grosso (MPF-MT) que assegure a sua segurança.


Os ataques aconteceram após uma série de outdoors contra o presidente serem instalados em diversas regiões de Sinop. A vereadora foi acusada de ter financiado as manifestações anti-Bolsonaro.


Os outdoors foram bancados pelas entidades de esquerda "Sinop para Elas" e a Adufmat (Associação dos Docentes da UFMT).


“Foram afirmações inverídicas, foi um grupo de sindicatos coletivos que financiaram e inclusive assinaram os outdoors, mas por ser a única pessoa de esquerda, por ser mulher, acabo sempre sofrendo ataques até com aquilo que não tem ligação direta com o mandato”, disse ela em entrevista ao MidiaNews.


Graciele relatou que tirou prints de diversas publicações e comentários nas redes sociais e mensagens que circularam em grupos de WhatsApp. Dentre as denúncias feitas pela vereadora estão ameaça, injúria e calúnia.


Ela contou que os conteúdos das mensagens continham ameaças como: “petista só matando”. Além de afirmações caluniosas, que diziam que ela havia invadido terrenos para instalar os outdoors contra o presidente.


“Não estou mais andando sozinha, não estou saindo à noite praticamente. Fico muito triste que a gente esteja vivendo em um período que se assemelha ao período de ditadura, em que as pessoas não podem expressar suas opiniões, seus posicionamentos políticos", afirmou.


"Ser atacada com palavrões, com ofensas, acho muito triste que as pessoas não possam se expressar”, afirmou.

Nesta semana, a vereadora foi até a delegacia e prestou depoimento a um escrivão para que a Polícia pudesse seguir com as investigações do caso.


Medidas de segurança


Insegura após os ataques, a vereadora disse que solicitou à equipe de segurança da Câmara do Município que fizesse revista no Legislativo. Com isso, houve uma vistoria com detector de metais na entrada do local.


As medidas, segundo a vereadora, foram motivadas por medo, pois não sabia até que ponto os autores das ameaças poderiam chegar. Ela afirmou que um dos bolsonaristas chegou a derrubar um outdoor contra o presidente com uma motosserra, exemplificando o extremo dos apoiadores.


Além do boletim de ocorrência, ela também entrou com um pedido ao Ministério Público Federal em Mato Grosso (MPF-MT) para garantir sua segurança. O requerimento foi feito em parceria com a vereadora de Cuiabá, Edna Sampaio (PT).


No documento enviado ao MPF, Edna ainda reforçou que as ameaças sejam investigadas e os responsáveis pela emissão das mensagens sejam punidos.


“É um cenário que violenta a gente psicologicamente, emocionalmente e, em muitos casos, até fisicamente. Então, acho que essa união nos ajuda a se fortalecer para desempenhar o papel que nos propusemos a desempenhar para a sociedade", completou.


Fonte: Site Mídia News