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Vereadora é contra construção de hidrelétricas no rio Cuiabá


A derrubada do veto do governador Mauro Mendes (UB) ao projeto de lei que proíbe a construção de seis barragens no rio Cuiabá foi tema da tribuna livre desta terça-feira (23) na Câmara Municipal, com a presença do sociólogo Juacy da Silva, membro da Pastoral da Ecologia Integral Arquidiocese de Cuiabá e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic).


O PL, de autoria do deputado Wilson Santos (PSDB), foi aprovado na Assembleia Legislativa, mas vetado integralmente pelo governador Mauro Mendes, o que provocou indignação entre os ambientalistas. Nesta terça-feira (23), eles visitaram a AL para buscar apoio dos parlamentares à derrubada do veto, que foi votado na quarta (24).


O movimento em favor do rio Cuiabá, que reúne entidades ambientalistas, sindicatos e organizações do terceiro setor, planeja para esta quarta-feira uma grande mobilização na AL.


Segundo Juacy da Silva, Mato Grosso passa por um processo intenso de degradação marcado pela pesca predatória, assoreamento, desmatamentos, queimadas etc., que atinge o Pantanal, o cerrado e a Amazônia, estudos mostram que a construção das barragens levará à degradação e à desertificação do Pantanal.


De acordo com ele, há mais de 20 usinas construídas ao redor dos rios que desaguam no Pantanal e o interesse dos grupos econômicos nacionais e internacionais do setor está interferindo na posição do governo.


“Se o veto não for derrubado, abre a possibilidade para grupos econômicos, que querem privatizar o uso das águas. Mas, mesmo que isso aconteça, vamos continuar em outra trincheira de luta, a Justiça. A população não pode ser penalizada por interesses econômicos imediatos. A constituição garante que a população tem direito a um ambiente sustentável e saudável”, disse.


A vereadora Edna Sampaio (PT), autora do convite ao ambientalista, disse que esteve visitando municípios da região norte do Estado no último final de semana, e que ficou impressionada com o grau de degradação ambiental observado em municípios como Guarantã do Norte, na fronteira entre Mato Grosso e o Pará.


“É muito importante que a sociedade, neste momento, se conscientize de que estamos destruindo a possibilidade de existência dos seres humanos neste planeta e em nome de quê? Apenas alguns são beneficiados e produzem a miséria e a pobreza para milhares”, disse ela.



A parlamentar salientou os danos irreversíveis ao ambiente que já são realidade. “Ninguém comentou ainda a quantidade de espécies que desapareceram ao longo das últimas décadas, em que a floresta e o cerrado foram devastados e se alterou o curso das águas no Pantanal, uma planície alagada que precisa do regime das cheias e das secas para continuar produzindo a vida. É muito importante que a sociedade se conscientize dos danos que têm sido causados pelo modo como nos desenvolvemos economicamente”, disse.


Segundo Juacy Silva, a construção das barragens vai provocar também a piora na qualidade da água consumida na capital, diante da redução da quantidade do líquido em circulação e do consequente aumento do volume de esgoto que desaguará no rio.


“Não podemos aceitar passivamente as medidas de determinado governante, pois a constituição também estabelece que a população precisa ser ouvida”, disse.






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