Peso maior de votos estimula candidaturas, diz Edna



Durante entrevista ao site PlayAgora, nesta segunda-feira (21), a vereadora Edna Sampaio (PT) avaliou positivamente a entrada em vigor da alteração proposta pela reforma eleitoral que concedeu peso duplo aos votos dados a mulheres e negros nas eleições para a Câmara dos Deputados, para fins de cálculo de distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (Fundo Eleitoral) e do Fundo Partidário.




A regra passa a valer nas eleições deste ano, quando, no Brasil, mais de 77 milhões de mulheres brasileiras devem ir às urnas.


Para a parlamentar, esta será uma oportunidade para os partidos tornarem realmente viáveis e competitivas as candidaturas de mulheres e pessoas negras, ajudando a corrigir a desigualdade histórica no acesso aos espaços de poder.



“Temos um problema estrutural tanto do machismo quanto do racismo, que se estabelece dentro do campo político também. Fala-se muito da importância de as mulheres e pessoas negras participarem da política, mas os mandatos e a ocupação dos poderes em todos os partidos são feitas, majoritariamente, por pessoas brancas e, principalmente, por homens”, disse ela.


"É muito importante uma legislação que determine que as candidaturas de pessoas negras e mulheres vão contar em dobro para os partidos receberem o fundo eleitoral porque isso obriga os partidos a pensarem, nas chapas, em candidaturas de mulheres e de pessoas negras, com competitividade”.



Ela considerou uma vitória a alteração proposta pela reforma, já que, no geral, as candidaturas deste segmento, embora existam, são praticamente invisibilizadas.



“São pessoas que não têm condições, não têm recursos; são candidaturas que não saem muito do patamar mínimo de competitividade. Precisamos de candidaturas que, de fato, possam ter a chance de chegar à vitória eleitoral para que mudemos o quadro que está estabelecido, onde mulheres e pessoas negras são absolutamente minoria nos parlamentos”, analisou.



Para que as mulheres ingressem na política, é preciso que os homens abram mão do poder e isso não acontece espontaneamente. “Daí a importância de que o judiciário crie mecanismos para obrigar, por uma vantagem, que os partidos possam ter candidaturas de pessoas negras e de mulheres”, comentou.


Segundo o estudo "Violência Política e Eleitoral no Brasil", publicado pelas entidades Terra de Direitos e Justiça Global, a maioria das vítimas de violência política são mulheres e as negras são o alvo de 76% das ofensas dirigidas a representantes femininas no legislativo.


“Sou exceção. Venho de uma família muito pobre, sou negra e, para uma mulher assim se colocar onde estou, não é fácil. Portanto, queremos que as mulheres e pessoas negras não sejam exceção, que possamos ter um equilíbrio de representatividade na política, pois enquanto tivermos a ausência de mulheres e pessoas negras na política, não estamos vivendo uma democracia”, disse ela.