Movimentos querem que shopping adote educação contra o racismo


Movimentos negros organizados estão propondo que o shopping Pantanal adote um programa de educação permanente contra o racismo voltada aos funcionários e ao público externo.


Nesta quinta (8), representantes do Mandato Coletivo pela Vida e por Direitos, representando a vereadora Edna Sampaio, e entidades do movimento negro se reuniram com representantes do shopping e com a empresa de consultoria Parangolé do Saber para discutir propostas.


Entre outros militantes, estiveram presentes a presidente do Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune), Antonieta Luisa Costa e o representante do movimento Frente Favela Brasil, Anderson Barbalho.


Representando a consultoria, estavam Klícia Oliveira, Silvana Andrade e Thalita Peixoto, e representando o shopping, a assessora Paola Carlini.


Os movimentos pedem que o shopping adote um programa de longa duração, contendo ações educativas como palestras, rodas de conversas e cursos para funcionários, gerências e lojistas.


Também sugerem medidas como a adoção de cotas raciais para cargos de gerência, a criação de um fundo de combate ao racismo, de um conselho para acompanhar as ações e de um serviço de ouvidoria.


A vereadora Edna Sampaio (PT) está articulando para que o shopping assine um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) sobre o tema.

Ela informou que está realizando pesquisas sobre o formato do documento e que pretende discutir com o Ministério Público Estadual e com o movimento para construir a proposta.


Durante a reunião, a empresa de consultoria apresentou as atividades que começaram a ser desenvolvidas no shopping para trabalhar junto aos empregados questões referentes a gênero, relações raciais, respeito às pessoas com deficiência e às pessoas LGBT, e citou ações iniciais de formação realizadas e a realizar.


O shopping se disponibilizou a fazer parceria para desenvolver atividades visando promover a visibilizarão do negro no estabelecimento. As primeiras serão uma exposição de fotografias de mulheres negras e uma roda de conversas, previstas para acontecer ainda no mês de julho.


“A articulação junto ao shopping parte de uma necessidade que temos de combater atos e atitudes racistas. Em locais mais elitizados, como o shopping, a pessoa preta muitas vezes é tratada com desrespeito, vista como algo perigoso, que pode trazer risco, malefício ao espaço”, disse o estudante universitário e assessor parlamentar da vereadora Edna Sampaio (PT) e integrante do Mandato Coletivo, Luan Lucas Ribeiro.


Para ele, é importante que as empresas discutam a diversidade e saibam que terão circulando em suas lojas pessoas negras, LGBTs, pessoas com necessidades especiais etc., e que reconheçam o racismo estrutural e proponham, ações que diminuam a incidência desses casos e qualifiquem os trabalhadores para lidar com essa realidade.


“Nosso diálogo é para que o shopping tome para si a responsabilidade de fazer ações, promover espaços, treinar, capacitar, inserir as pessoas pretas em cargos mais importantes dentro de sua estrutura. Quando uma empresa nos dá essa abertura, temos que aproveitar, pois estaremos trazendo benefícios para a comunidade negra em geral, para frequentadores, funcionários, pessoas que podem ocupar espaços importantes no shopping”, disse ele.