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Edna recebe homenagem de professoras durante curso antirracista





Professoras da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) prestaram homenagem a Edna Sampaio (PT), na noite desta quinta-feira (19).


A homenagem aconteceu durante uma aula do curso “Formação antirracista: metodologia e base teórica para a elaboração de projetos”, promovido pelo Mandato Coletivo pela Vida e por Direitos, no Palácio da Instrução., que segue até novembro


O curso integra a programação da 3ª Semana da Consciência Negra e iniciou-se antes da cassação do mandato, tendo continuidade com o apoio do vereador suplente, Robinson Cireia (PT).


O ato foi organizado pelas professoras Ana Carolina Borges, Divanize Carbonieri, Júlia Café, Ana Maria Marques, Cristina Soares, Suzana Ataíde e Dejenana Campos, e aconteceu durante a terceira aula do curso, que está sendo realizado no Palácio da Instrução.




As pesquisadoras salientaram a importância da presença da petista na Câmara para a representatividade feminina e negra e manifestaram seu repúdio à cassação de seu mandato.


“No momento em que soube da cassação, fiquei imaginando o sentimento dela e que precisava fazer uma acolhida a ela no sentido de mostrar e dizer que continuamos do seu lado, e nos sentimos gratas por sermos representadas por ela”, afirmou Ana Maria Marques.


Ela afirma que conhece o trabalho de Edna Sampaio desde sua atuação como professora e sindicalista e vê violência na política de gênero no que tem sofrido. “O fato de ser mulher e negra incomoda. Ela é uma mulher de esquerda, posicionada, no meio de uma maioria conservadora, isso torna mais difícil a voz dela ser reconhecida e validada. Quando uma voz como a dela é calada, todas nós somos caladas”, disse.



A vereadora Edna entrega bolsa do curso à profa. Ana Carolina Borges

Durante sua fala emocionada, Edna Sampaio destacou a dificuldade de estar neste espaço sendo uma mulher negra, progressista e de esquerda e afirmou que não sofre pela cassação de seu cargo, mas sim pela violência de que vem sendo alvo.


“Não tenho apego nenhum ao cargo de vereadora. Não sofro por ter pedido o cargo, mas sim com essa sociedade que, apesar de tanto lutarmos, ainda continua tão violenta conosco, apesar de tanta luta e tantas gerações que vieram antes de nós e lutaram muito mais do que lutamos”, disse ela.

Edna destacou que o que mais a incomoda é a ausência de vozes a defendê-la, inclusive as instituições, como a Ordem dos Advogados do Brasil ou o Conselho da Mulher.


Ela enfatizou que a sua situação revela o racismo estrutural na prática e que, o fato de estar em um cargo público, em situação de visibilidade, permite que a pauta seja discutida, ao contrário do que acontece geralmente. .


“Isso escancara para a sociedade que, quando falamos de racismo estrutural, não estamos falando de uma tese, mas daquilo que os corpos negros sofrem todos os dias, mas não ocupam lugar de visibilidade, então não conseguimos enxergar essa violência”, disse.


Curso


O tema da aula de quinta-feira no curso “Formação antirracista: metodologia e base teórica para a elaboração de projetos” foi “História do movimento negro no Brasil: A presença das religiões de matriz africana como instrumento de resistência”, com a professora doutora Ana Carolina da Silva Borges, docente no departamento de História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Também participou do curso o professor Ranielli Mendes, que apresentou dados da dissertação “Ensino de História e Pensamento Afrodiaspórico: as tradições orais africanas como recurso teórico metodológico em sala de aula”.


A professora Cristina Soares, que também é escritora e autora de obras infantis sobre as heroínas negras da cultura cuiabana, compartilhou sua experiência com os alunos.


Estão participando professores, militantes do movimento negro, alunos de pós-graduação, jornalistas, escritores, artistas e servidores públicos. A atividade terá certificação pela UFMT.


“O cronograma contempla muito bem a história e a cultura afro-brasileira, os professores são excelentes e a turma diversa, o que torna o ambiente propício para a troca de conhecimento e empoderamento de todos que, como eu, buscam uma reconexão com suas raízes. Essas trocas já estão acontecendo, juntamente com ideias e projetos que, com certeza, trarão muitos frutos para a população negra de Cuiabá. Agradeço pela oportunidade de fazer parte desta iniciativa ", disse uma das alunas do curso, a jornalista Celly Silva, coordenadora da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Mato Grosso (Cojira-MT).



Os participantes foram divididos em grupos, onde serão construídos, ao longo do curso, projetos educativos prevendo ações de sensibilização sobre o combate ao racismo para serem aplicados em espaços educacionais formais e não formais.



Edna Sampaio participou do debate nos grupos. Ela destacou a importância de projetos de educação antirracista e educadores antirracistas nas escolas e sugeriu que o espaço onde o curso ocorre, possa ser ocupado com as atividades propostas nos projetos, entre elas intervenções artísticas, debates etc.



“Vamos nos debruçar sobre estes projetos para estruturá-los para que eles sejam institucionalizados. A minha propostas é que estes projetos sejam construídos e a gente ocupe estes espaços para compartilhar a experimentação destes projetos, de modo que não tenhamos apenas a execução deles, mas que possamos, em diferente espaços e experiências, a partir desse projeto, compartilhá-las à luz de uma reflexão sobre o racismo na nossa cidade”, disse ela.


Edna explicou que os educadores formados no curso farão a conexão entre os conteúdos repassados pelo curso e a comunidade que eles atendem.



“A ideia é trazer de volta, e fortalecer a nossa conexão para que possamos ter uma rede de educadores, não apenas professores, mas educadores antirracistas, compreender o que é isso, aprofundar o debate sobre isso, olhar nossa prática e nossa ação para refletir sobre a postura antirracista que precisamos ter. O que está acontecendo comigo na Câmara é a prova inconteste da necessidade de a gente debater essa questão e ter pessoas antirracistas. Quando se é antirracista, não se consegue silenciar diante de uma violência racial. Quem é antirracista se posiciona, combate à violência racial”, destacou.


“Quando se é antirracista, não se consegue silenciar diante de uma violência racial. Quem é antirracista se posiciona, combate à violência racial. E é para estimular isso que estamos fazendo esse curso”, destacou.




A programação da Semana da Consciência Negra tem a parceria da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, da Assembleia Social, do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas Quilombo (Neabi Quilombo) da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT)e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).


Também são parceiros o coletivo Ateliê Maria Padilha, Movimento Negro Unificado (MNU-MT), templo Ilê Dará Omi N'Bu Asé Osumare Araka, Secretarias municipal e estadual de Cultura e Sintep Cuiabá e do Centro de Tradições Afro-brasileiras.


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