Edna reafirma compromisso com população vulnerável



Por: Neusa Baptista Pinto

Fotos: Francisco Alves


Durante lançamento de sua pré-candidatura a deputada estadual nesta quinta-feira (16), na capital, a vereadora Edna Sampaio (PT) reafirmou seu compromisso com os segmentos socialmente marginalizados e sua rejeição à prática política baseada apenas no interesse pessoal.



“Essa candidatura é nossa, pois ela é um instrumento para dar visibilidade a tudo o que nos oprime e que não encontrou, até hoje, espaço para verbalização no espaço público. Quando se defende a população LGBT, se calcula se isso rende votos ou não, mas não quero fazer este cálculo, pois essa é a nossa bandeira, não importa se ela é ou não vendável do ponto de vista eleitoral”, afirmou.


“Um partido é apenas uma reunião de pessoas e ele é tão falho como qualquer um de nós e, muitas vezes, a minha presença neste espaço se dá no enfrentamento com o próprio partido que eu represento”, disse ela. “ Mas não tem problema, pois entendendo que nessa caminhada, nessa travessia que fazemos, há pessoas que são chamadas a serem maiores do que são e nós estamos sendo chamados a isso e eu espero que cada um aceite, de coração, este desafio, que é algo histórico", disse ela.




A vereadora destacou seu comprometimento com a luta contra o racismo e, principalmente, com as mulheres negras, que são a maioria entre as chefes de família e as principais atingidas pela miséria. Ela também falou sobre o papel pedagógico que é necessário desempenhar, diante da necessidade de compreensão da sociedade sobre as relações raciais.


“A eleição é um processo importantíssimo de ocupação dos espaços que nos foram historicamente negados e os corpos das mulheres sempre foram negados, controlados, violentados, interditados pela sociedade e os das mulheres negras, muito mais. Para nós, a história é constituída da nossa força intermitente para suportar todos os tipos de violência, o que não é de hoje”, disse ela.


“A questão racial não é puramente identitária, não é uma questão menor do que a desigualdade econômica. Tem a ver com a profunda desigualdade que se produziu num país que tem 500 anos de história e quase 400 de escravidão, cujas consequencias não podem ser minimizadas”, salientou.



Por que apoio Edna



O evento atraiu um público heterogêneo, formado tanto de militantes do partido e lideranças de movimentos sociais quanto de pessoas não filiadas nem representantes de coletivos, mas que se identificam com as pautas defendidas pela pré-candidata.


“Em um país em que nós, LGBT, somos desrespeitados todos os dias, ver uma mulher negra lutando por este segmento é incrível e não teria outra pessoa para apoiar. Trabalho na escola Leovegildo de Melo, no bairro CPA, e vejo pessoas que desistiram de tudo e agora voltam a estudar, mães solteiras, pessoas LGBT, que não foram aceitas em nenhum outro lugar e agora voltam à escola. A Edna luta por esse povo, cujo sofrimento eu vejo todos os dias”, disse a estudante e servidora pública Júlia Carvalho, de 19 anos.




A sindicalista Helena Bortolo, do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep-MT), destacou a responsabilidade de Edna com a pauta da educação e com as mulheres.

“Este país, com mais de 50% de sua população composta por mulheres, que são provedoras, e que são reprimidas e desrespeitadas, e sob um governo que não tem empatia com a população, mais do que nunca ´importante a presença da Edna, pois ela representa os trabalhadores", disse.


"As últimas administrações estaduais e municipais não cumpriram sequer o percentual constitucional de 25% do orçamento para a educação e o governo mudou uma série de legislações para se livrar dessa obrigação. Estamos vivendo um momento obscuro da história do país e a voz da Edna pode chegar a quem não tem informação. A voz dela é fundamental na Assembleia Legislativa”, disse.


“As bandeiras que ela defende também são as minhas. Apesar de não morar aqui, acompanho o trabalho dela e acho que será muito bom tê-la como a primeira mulher negra na Assembleia, disse a aposentada Márcia Prado, moradora de Chapada dos Guimarães, de onde tem organizado grupos de mulheres interessadas em discutir sobre o tema..



Tainara Cardoso de Araújo, administradora do espaço cultural Manga Preta, salientou a motivação para apoiar a candidatura e receber no local o lançamento.


“Nosso objetivo é dar espaço aos artistas, principalmente os autorais, e a todo tipo de arte. Em pleno século XXI, estamos sendo criminalizados, mas arte é resistência. Desde que começamos, a Edna está presente, apoia a arte, a cultura, os jovens e isso, para nós, é importante, fortalece o segmento”.