Edna cobra protagonismo do partido e critica interlocutores externos



Durante entrevista, nesta quinta-feira (28), a vereadora Edna Sampaio (PT) defendeu a necessidade de o partido acumular força política no Estado e lamentou que em Mato Grosso a federação PT, PV e PC do B esteja sendo representada por porta-vozes externos, como o prefeito Emanuel Pinheiro.



Para ela, o partido em Mato Grosso se equivocou ao renunciar ao protagonismo na construção das pré-candidaturas majoritárias, indo na contramão do que tem ocorrido em outros estados e na direção nacional.



“Mesmo que Lula se aproxime da direita para derrotar Bolsonaro no primeiro turno, não podemos prescindir da construção nos estados, pois, num segundo momento, nossa disputa será contra a direita também. A direita, que lucra com a destruição do meio ambiente e a exploração do trabalho, lucrou enquanto o povo empobreceu durante a pandemia. Eles não vão querer regulamentar o que foi desregulamentado”, disse.



A vereadora disse que, em suas viagens ao interior do estado, tem percebido a força do PT junto às classes trabalhadoras, a qual poderia ser mais bem aproveitada pelo partido.



“Precisamos nos organizar politicamente no nível local para que os governos progressistas possam disputar politicamente. A eleição do Lula é um passo apenas, é necessária a construção de uma coalizão progressista no Brasil [...]”, disse.



“Direita e esquerda se unem neste momento para derrotar Bolsonaro e defender a democracia e isso é importante, mas, para mim, a renúncia do PT de Mato Grosso em construir um projeto político que possa oferecer à população uma alternativa de poder é muito grave”.


A parlamentar avaliou que não há hoje normalidade política nem simples polarização direita x esquerda, mas sim a disputa entre a política e a “anti-política” e criticou o fato de se considerar apenas o viés eleitoral da situação.



“Temos uma posição política protagonizada pelo presidente Lula e temos outro candidato que polariza com ele, que representa a destruição política, a anti-política. Não é conservadorismo, é algo retrógrado, destruidor de qualquer vivência societária. [...] A história não é uma linha reta, sempre em evolução, podemos retroceder, e é o que está acontecendo. Participar dessas eleições significa assumir uma posição na história".



Edna relacionou a crise política do país ao momento histórico mundial, marcado pela ascensão da extrema-direita, lembrando que, no Brasil, ela se fortaleceu já desde o impeachment de Dilma Rousseff, que foi enfrentado apenas pela via da disputa eleitoral.



“A força política de extrema-direita já vinha se capitalizando e não vimos isso. Hoje, não estamos polarizando com a direita, mas com a extrema-direita. Não há disputa política, de posições, visões diferentes de sociedade e de governo, mas sim o fascismo, que todos nós temos a responsabilidade de derrotar”.