CPI dos Medicamentos: Edna aponta conflito de interesses

Atualizado: 16 de ago. de 2021




Durante oitiva na CPI dos Medicamentos, nesta terça (10), a vereadora Edna Sampaio (PT) questionou o coordenador do Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos da Capital (CDMIC), Igor Miranda, sobre sua formação, sua experiência para exercer o cargo para o qual foi nomeado, por indicação da ex-secretária de Saúde do município, Ozenira Félix, e os critérios que fizeram com que fosse indicado para a gestão do Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC).


O servidor confirmou que trabalhava na Secretaria Municipal de Gestão como coordenador de patrimônio e que foi indicado para uma área na qual não possuía experiência, apesar de ser formado em gestão pública.


Ele confirmou inexperiência em gestão de medicamentos.


A vereadora questionou se havia alguma semelhança entre a gestão de medicamentos e o patrimônio, o que foi confirmado por ele, mas contestado por ela, que cobrou sua responsabilidade e a da empresa Norge Pharma sobre a guarda dos medicamentos vencidos encontrados no CDMIC.


A vereadora também argumentou sobre o conflito de interesses existente no fato de a empresa atuar anteriormente com compra e venda de medicamentos junto à secretaria e ter o objeto do contrato alterado para gestão de medicamentos. Esta informação foi repassada durante o depoimento do representante da empresa Norge Pharma Patric Pablo Lelis Silva.


“Não havia um conflito de interesse entre uma empresa que tem como objeto, como função, a compra de medicamentos e, de repente, passa à gestão, uma experiência nova, que ela nunca tinha feito, conforme foi confirmado pelo servidor, passa de compradora de medicamentos para a administração pública a ser a empresa gestora destes medicamentos?”, questionou ela.

Ela salientou também que há muita diferença entre gerir de bens duráveis pertencentes a um patrimônio e administrar medicamentos, que possuem prazo de validade, e questionou quem fazia realmente o controle das atividades desenvolvidas pela Norge Pharma.


A parlamentar também questionou as afirmações do servidor de que só agora tomou conhecimento de que a Norge Pharma havia atuado na venda de medicamentos, que estava pessoalmente envolvido nas atividades referentes ao controle dos estoques, e de que existia diálogo entre empresa e gestão.


“A mim ficou claro um conflito de interesses entre o que era o fazer da empresa e o que ela foi contratada para fazer. Uma empresa que compra e vende medicamentos não poderia ser a mesma que faz a gestão”, disse.