Saiba como foi o ato público


Por: Neusa Baptista Pinto


A encenação de um cortejo fúnebre percorreu a região central de Cuiabá no final da manhã deste sábado (1º), em um ato público realizado pela vereadora Edna Sampaio (PT) em homenagem ao Dia do Trabalhador.




À frente do cortejo que, devido ao isolamento social, contava com número reduzido de participantes, entre militantes do partido e representantes de movimentos sociais, a parlamentar percorreu as praças Maria Taquara e Alencastro, e foi uma das que carregaram as alças de um caixão coberto pela bandeira do país, simbolizando os 400 mil óbitos registrados por Covid no Brasil.


Mauro Mendes (DEM) e Emanuel Pinheiro (MDB) também

apareceram em placas, acompanhados dos números de mortos no estado e na capital. Até este sábado, foram registrados 2.636 óbitos em Cuiabá e 9.617 em Mato Grosso.


Em cartazes, lia-se palavras de ordem pedindo políticas de transferência de renda, vacinação, testagem, e em apoio à CPI da Covid-19, instalada esta semana no Senado.

À frente, o grupo trazia uma faixa, com o quantitativo de óbitos e a imagem do presidente Jair Bolsonaro.


O cortejo saiu sob uma marcha fúnebre, partindo da praça Maria Taquara, passando pela praça Bispo Dom José e subindo a Avenida Getúlio Vargas, e durante o trajeto, foram lidos nomes de profissionais da educação e da saúde mortos pela doença no Estado.


O encerramento aconteceu em frente à prefeitura, onde o caixão foi deixado, e executadas músicas e pronunciamentos em homenagem aos mortos.


“São símbolos que representam a nossa indignação pelas mortes de 400 mil pessoas no Brasil. A Covid-19 encontrou um governo que produz a morte do povo brasileiro, que não tomou providencias, desde o princípio, para que nós pudéssemos enfrentar essa pandemia”, disse a vereadora.


Na praça Alencastro foi feito também um drive thru solidário para a arrecadação de alimentos para a campanha PT Solidário, voltada a famílias mais pobres. Edna Sampaio lembrou que o impacto da Covid é maior sobre a classe trabalhadora.


“A maioria das pessoas que morre hoje, por Covid-19 está na idade de trabalho, são pessoas produtivas, muitas (mas muitas mesmo) são arrimos de família. Há muitos órfãos da Covid-19 e pessoas que foram empurradas para a pobreza por esse governo”, disse ela.

Opiniões


“Estamos trabalhando o dobro, todos os colegas morrendo, já perdi vários amigos e é uma categoria que ninguém dá valor. Todo dia morre um, é doído. A vacina tem que ser para todos, primeiro para os jovens que não estão tendo consciência. Sabe o que é chegar no seu plantão e saber que um jovem de futuro, que não construiu família, não teve filhos, morreu de Covid?”, disse a técnica de enfermagem Rosemari Correia Rodrigues. A enfermagem soma 52 óbitos por Covid em Mato Grosso.



“Não quero aplauso, quero salário digno, ganhamos um piso salarial de mil e duzentos reais para trabalhar 30 horas, sem domingo, feriado”, disse. “Não adianta fechar as empresas se as pessoas fazem aglomeração, elas não têm consciência, acham que é uma ‘gripinha’ porque o nosso presidente falou que é um ‘gripinha’”.




“Não consigo pagar meu MEI [registro de Microempreendedor Individual] há um ano. A gente está sobrevivendo no vermelho. O protesto é um incentivo para a população pois, do jeito que está, está muito devagar a vacinação, não se toma nenhuma atitude a respeito, só se pensa em política, o povo tem que correr atrás dos seus direitos”, disse o vendedor João Rodrigues.