Pela valorização do migrante

Por Rosbelli Margarita Rojas Piñango



Vemos este projeto da vereadora Edna Sampaio como um ato de humanização para nós imigrantes, com a compreensão de que a migração é um fato historicamente humano, e de que, para nosso desenvolvimento como pessoa dentro de uma sociedade e cultura diferente da nossa, esses diálogos são necessários. Por estas razões, estamos aqui para fazer as seguintes propostas.


1) Educação: temos no estado de Mato Grosso uma grande quantidade de imigrantes, egressas das melhores universidades latino-americanas, como por exemplo a UCV, fundada em Caracas, Venezuela, em 1721. Com a burocratização do processo de validação de títulos universitários, torna se quase impossível a nós contribuirmos com nossos conhecimentos para um desenvolvimento cidadão, além de nos relegar a um mercado de trabalho que, muito frequentemente, devido à nossa vulnerabilidade, nos expõe ao trabalho escravo ante o desespero e a necessidade de subsistir e de viver dignamente.


2) Documentos: a) muitas vezes nossa capacidade laboral aprendida ao longo da vida se destaca, então somos movidos a prestar concursos públicos, ao qual nos inscrevemos mas não temos oportunidades porque não dispomos dos documentos necessários, como o certificado de reservista e o título de eleitor, portanto seria necessária uma alteração caso um imigrante se candidate a uma vaga.


b) residência: na história contemporânea, um dos povos que mais resistiu foi Cuba. Muito antes que a Venezuela, Cuba emigrou mas não nunca foi vista nem considerada e, assim como a Venezuela, ambos processos migratórios gerou o desmembramento de seu núcleo familiar, que é a base de qualquer sociedade, por isso a residência para um cubano não é um simples luxo, não é um simples papel, é a possibilidade de se reunir como família, voltar a Cuba e poder sair sem ser multado por 5 anos, por isso é necessário um olhar humano, um olhar com a alma sobre a situação tanto dos cubanos quando dos venezuelanos sem passaporte; que não podemos seguir nesta caminhada e o tempo urge.


3) Moradia: ser imigrante não nos exclui do fato de sermos indivíduos com deveres sociais e deveres para com nossas famílias, e dentre os deveres, o mais importante para com nossa família é proporcionar um telhado digno, de modo que, quando nos vemos na necessidade de pagar o aluguel, nós somos responsáveis, por isso consideramos que poderíamos ter acesso à casa própria, e solicitamos, portanto, que uma porcentagem de moradias que se encaixe no nosso perfil socioeconômico seja direcionada à população imigrante. 4) Nosso pleno e irrestrito apoio à criação do conselho municipal de migrantes e a todas as sugestões de emendas postuladas pelo GT anexo, com a sugestão de que a presidência e a vice-presidência sejam ocupadas por imigrantes.


Em tempos difíceis os tambores rufam nos convocando à criação de um outro mundo possível!

Rosbelli Margarita Rojas Piñango, representante dos migrantes latino-americanos.