Pela autonomia da Câmara no planejamento da vacinação

Atualizado: 25 de mai. de 2021


Por: Neusa Baptista Pinto


A vereadora Edna Sampaio (PT) voltou a defender a organização dos grupos prioritários para a vacinação contra a Covid-19, cobrando celeridade na discussão sobre o tema na Câmara. Ela avaliou a demora na tramitação das diversas indicações de grupos prioritários feitas por vereadores e apontou com isso os privilégios a parlamentares da base do prefeito na aprovação dos grupos.


“Temos dez vereadores que apresentaram indicação de grupos prioritários a vacina e essa pauta não chega nesta sessão.  Estamos vendo que cada vereador da base vai à prefeitura, indica um grupo prioritário e nós temos notícias de que estes grupos estão sendo vacinados”, disse.


“O poder executivo não é um poder imperial, que governa sozinho; a Câmara precisa se apresentar como Casa Legislativa, que define e ajuda a governar”.


A vereadora já protocolou na casa, por meio de projeto de lei e de decreto legislativo, pedidos de priorização de profissionais vulneráveis, entre eles funcionários dos serviços funerários, assistentes sociais, professores, quilombolas e comunidades ribeirinhas.


Ela voltou a apontar a falta de autonomia e de participação da Câmara na discussão sobre políticas no município.


“Nós somos o parlamento, temos o papel de fiscalização e de legislar sobre questões que são importantes à população, a casa não pode viver em função daqueles que compõem a base neste parlamento, com todo o respeito aos colegas; o cobertor é curto, quando inclui um, exclui outro, é necessário planejamento”, disse.


A vereadora também destacou a responsabilidade do governo federal na falta de vacinas, citando o impasse diplomático entre a presidência da República e o governo chinês, que está interferindo no comércio dos insumos para a produção da vacina no Brasil.


“Se estamos sem vacina aqui, não é só responsabilidade da secretaria de saúde, mas do governo federal, precisamos falar sobre isso. A Coronavac não veio porque o governo federal se esforçou em estabelecer relação de conflito com a China e, portanto, o Butantan não vai poder produzir as doses”.


“Não adianta olhar Cuiabá como ilha, como cidade isolada do país; nós não temos vacina porque o governo federal não comprou e ainda produziu uma relação comercial internacional que esgarçou as relações do Brasil e impediu a vacinação do povo brasileiro”, completou.


Educação


Ela cobrou a vacinação dos profissionais de educação, mas avaliou que até o momento não foi apresentado qualquer tipo de planejamento por parte da prefeitura para uma possível retomada das aulas presenciais, com medidas para evitar o contágio e garantir a qualidade do ensino.


“Precisamos discutir a prioridade sim e também discutir por que os profissionais da educação ainda não estão sendo vacinados, porque as aulas não voltam e a prefeitura não apresentou um plano de retorno às aulas”, disse. “Retornar às aulas não é simplesmente editar um decreto de retorno, é dizer em que condições as escolas serão abertas e quando que nos vacinaremos todos os profissionais de educação”.