ONU aponta dois casos brasileiros como exemplo de racismo sistêmico





ONU publicou nesta segunda-feira (28), o relatório solicitado após a morte de George Floyd e pede para que o todos os países ajudem a acabar com a discriminação, violência e racismo sistêmico contra pretos.


O relatório afirma que a morte de Floyd e os grandes protestos que desencadeou o veredicto contra o agente “representam um marco na luta contra o racismo e uma oportunidade transcendental para alcançar um ponto de inflexão a favor da igualdade e da justiça raciais”.



Em seu comunicado, Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para Direitos Humanos, pede para que os estados deixem de negar o racismo existente e comecem a trabalhar contra ele. “Exorto os Estados para que deixem de negar e comecem a desmantelar o racismo, para que acabem com a impunidade e estimulem a confiança, para que escutem as vozes das pessoas afro-descendentes, que enfrentem os legados do passado e procurem uma justiça reparadora”, afirma.


Michelle Bachelet analisou 190 casos de pessoas africanas, ou afro-americanas, mortas em abordagens policiais e chegou à conclusão que, em muitos incidentes, as vítimas não representavam ameaça que justificasse o uso exagerado da força. Dois casos acontecidos no Brasil foram analisados no relatório da ONU, a morte do garoto João Pedro Mattos e de Luana Barbosa dos Reis Santos.


A diretora de departamento de estado de direito, igualdade e não discriminação do Alto Comissariado, Mona Rishmawi, diz que nesses casos relatados de racismo sistêmico, as famílias continuam aguardando por justiça, pois ninguém foi responsabilizado pelas mortes.


João Pedro


João Pedro foi morto em maio de 2020, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, após uma operação conjunta entre as polícias Civil e Federal. O garoto estava na casa do tio, brincando, quando a polícia invadiu a residência atirando. João Pedro foi atingido na barriga e não resistiu.


Luana Barbosa


Luana Barbosa foi assassinada em abril de 2016, pela polícia. Ela foi espancada, após negar ser revistada por agentes do gênero masculino. Ela morreu cinco dias depois do espancamento, por isquemia cerebral e traumatismo cranioencefálico.


Fonte: Notícia Preta