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O que o caso da vereadora Edna Sampaio tem a dizer sobre violência política de gênero?



Artigo escrito por Grazi Godwin


A violência política de gênero engloba uma série de comportamentos prejudiciais às mulheres, como o assédio verbal, a difamação, a desqualificação e até mesmo ameaças físicas, direcionados especificamente à aquelas que ocupam espaços políticos ou que buscam participar ativamente na tomada de decisões. A motivação por trás desses atos é, muitas vezes, enraizada em padrões patriarcais e na tentativa de manter um status quo que marginaliza a presença feminina na política.


O Agosto Lilás, por sua vez, carrega consigo o objetivo de desafiar e transformar essa realidade. Durante todo o mês, diversas iniciativas são realizadas para conscientizar a sociedade sobre as diversas formas de violência de gênero e promover a igualdade. Essa campanha é também uma oportunidade de destacar o quanto a violência política de gênero é uma manifestação da desigualdade estrutural que permeia nossa sociedade, restringindo o acesso das mulheres a espaços de poder e minando suas vozes.


Ao unir essas duas temáticas, fica evidente como a violência política de gênero é um dos muitos obstáculos enfrentados pelas mulheres em sua busca por igualdade e respeito. A presença de mulheres na política é fundamental para garantir a diversidade de perspectivas e a representação verdadeira de toda a sociedade.


A vereadora Edna Sampaio é uma dessas vítimas da violência política de gênero, que sobretudo é racista. O racismo atravessa esse tipo de violência, uma vez que Edna é uma mulher preta, vereadora eleita democraticamente pelo povo que enfrenta essa cruel adversidade dentro do parlamento.


Alguns parlamentares, que são brancos e também do gênero feminino, procuram maneiras de deslegitimar a vereadora através de falsas acusações, grosseiras, disseminação de fake news e, principalmente, utilizam do privilégio branco, que a estrutura social racista lhes oferece, para atacar a vereadora. Mesmo diante disso, Edna Sampaio continua denunciando os seus violentadores e não se deixa ser silenciada. Um exemplo dessa tentativa de impor o seu silenciamento é a possível cassação do seu mandato.


Edna Sampaio não é a primeira mulher preta parlamentar a passar por esse tipo de situação. O que Edna enfrenta é sistêmico e revela o status quo operante nesta sociedade que privilegia os homens brancos, ricos e cisheteronormativos.


Em parlamento, na Câmara Municipal de Cuiabá, Edna enfrentou diversas situações violentas. No final do ano de 2021, Edna Sampaio foi condenada a pagar uma indenização ao deputado estadual Gilberto Cattani (PL) por dizer a verdade: chamou-o de homofóbico, após o deputado dizer, em suas redes sociais, que ser homofóbico é uma questão de escolha. A justiça simplesmente deu às costas para a vereadora.


Outro caso que exemplifica a violência política de gênero sofrida pela parlamentar foi o fato de o vereador Dilemário Alencar, na sessão ordinária do dia 28 de setembro de 2021, ter chamado a vereadora de Karol Conká, numa tentativa de reduzi-la a estereótipos que são impostos às mulheres negras. Além disso, Dilemário usa da tribuna para atacar a honra de Edna Sampaio.


Ela também foi acusada de nepotismo pelo Dilemário, o que é absurdo, uma vez que nepotismo se caracteriza “quando um agente público usa de sua posição de poder para nomear, contratar ou favorecer um ou mais parentes”, de acordo com o portal do Governo Federal.


No dia 5 de outubro de 2022, Edna Sampaio cogitou pedir segurança oficial da Câmara dos Vereadores por ser intimidada pelos apoiadores de Paccola durante o plenário. Esses apoiadores desferiram frases de ódio e gestos intimidadores à vereadora. Já neste ano, a Comissão de Ética fez das oitivas um verdadeiro circo ao trazer a gravidez de Laura Abreu, ex-chefe de gabinete da vereadora, no centro daquela reunião.


Infelizmente, parte da mídia local tem pautado Edna Sampaio como corrupta e violenta e não se preocupam em, ao menos, explicar ao leitor o que significa Verba Indenizatória. Insistem na narrativa errônea de que o processo pelo qual ela tem passado se trata de rachadinha. Ou seja, taxam, sem escrúpulos, a vereadora de criminosa.


Devemos denunciar e condenar atos de violência política de gênero, além de reforçar nosso compromisso com a igualdade de gênero em todas as esferas da sociedade. Somente ao enfrentar esses desafios de frente poderemos construir um Brasil onde todas as vozes sejam ouvidas e todas as mulheres possam exercer plenamente seus direitos e deveres cívicos.


O Agosto Lilás nos lembra que a luta pela igualdade de gênero é contínua e essencial, e que devemos trabalhar juntos para erradicar todas as formas de violência e discriminação.


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