“Nenhuma política é mais importante do que a transferência de renda”

Por: Neusa Baptista Pinto


A vereadora Edna Sampaio (PT), que se recupera de Covid-19 e segue em isolamento, voltou a alertar sobre a falta de planejamento da vacinação e seus impactos para a população cuiabana.


Ela encaminhou à Secretaria Municipal de Saúde requerimento de informações sobre os critérios usados pela pasta para a abertura do cadastro para novos grupos sem que houvessem sido atendidos aqueles já determinados pelas diretrizes nacionais e municipais de imunização.



“Me choca muito a condução da vacinação em Cuiabá, o que vai dificultar a imunização de massa. A vacina não é uma questão de cunho individual, se não tivermos estratégia de imunização coletiva, vamos demorar muito mais para superar esta doença”, comentou ela.


“Infelizmente, a despeito de todas as nossas indicações, nossa preocupação, expressa ao longo do caminho, não tivemos como ficar em casa, porque o ‘fique em casa’ foi sabotado sistematicamente pelos governos no nível nacional e local, o que impede completamente uma política de isolamento social, e isso faz com que a doença se propague”, disse.


A parlamentar pediu vistas do PL de autoria do executivo, que tramita na Casa, o qual altera a lei 6.467, de 2019, que cria o programa municipal de transferência de renda, estipulando o pagamento de benefícios a idosos, para a compra de medicamentos, e a jovens, para atividades culturais, esporte e geração de emprego.


Para a vereadora, o montante aportado pelo executivo no projeto é residual, não atendendo à necessidade das famílias e que passam por situação de miséria.


Ela defende a parceria entre os executivos municipal, estadual e a Câmara para a criação de um fundo de combate à pobreza e de políticas públicas amplas e de longa duração.


“O projeto de lei encaminhado pelo executivo à Câmara é de apenas um milhão para fazer a transferência de renda, uma renda que é residual e não uma política pública de enfrentamento ao empobrecimento das famílias”, disse ela.


“Não é possível mais seguir ignorando aqueles que se tornam invisíveis em sua própria pobreza, marginalidade. Nós somos um poder público e temos o dever de trazer à tona essa discussão; ela não pode ser secundarizada sob pena de não contribuirmos naquilo que mais está pegando a população, que é sua sobrevivência”, afirmou.


“Nenhuma política é mais importante, neste momento, do que a transferência de renda porque com renda, a população movimenta o comércio, consegue garantir a sua dignidade e ter acesso à saúde porque a alimentação é a principal fonte de saúde”, disse ela.