Não vamos premiar assassinatos!

Atualizado: 25 de mai. de 2021

Por: Neusa Baptista Pinto



“Querem transformar policiais em assassinos em nome do Estado”, diz Edna Sampaio sobre moção de aplauso a ação no Jacarezinho

A vereadora Edna Sampaio (PT) protagonizou um intenso debate na Câmara Municipal nesta quinta (13) ao se posicionar contra uma moção de aplauso proposta pelo vereador Kássio Coelho (Patriota) à Polícia Judiciária Civil do Rio de Janeiro (RJ) em reconhecimento à ação realizada no último dia 6, quando a polícia invadiu a favela do Jacarezinho sob a justificativa de combater o aliciamento de menores pelo tráfico de drogas, provocando a morte de 29 pessoas, um policial e 28 civis.




A ação contrariou decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, desde junho do ano passado, proibiu operações policiais em favelas do Rio de Janeiro. Ganhou repercussão internacional e causou comoção por ser a segunda maior chacina já ocorrida na cidade.


Segundo a polícia, 25 dos mortos tinham antecedentes criminais, mas de acordo com o Ministério Público, só três eram alvo de denúncia por tráfico de drogas. Além disso, entre as vítimas havia dois passageiros de metrô, que passavam pela região no momento dos tiros.



Durante a sessão desta quinta, a vereadora propôs que a votação da moção acontecesse separadamente das demais, diante da gravidade da situação de violência, e cobrou posicionamento dos vereadores por premiar os policiais pelos óbitos.

“Vocês querem transformar os policiais em assassinos em nome do Estado. A maioria dos policiais são pretos e pardos que têm no concurso uma forma de melhorar sua vida. E vocês querem transformar essas pessoas em assassinas para matar gente preta e pobre. Foi assim também durante a escravidão, senhores de escravos pagavam negros para perseguir, cassar outros negros. Policiais não são contratados para matar, policial não é assassino, é pai, é mãe, irmão, são pessoas”, disse ela. “Casa dos horrores! É isso que esta maioria quer provar que somos”, disse.


A moção foi aprovada com 12 votos favoráveis, 3 contra, uma abstenção, da vereadora Michelly Alencar (DEM) e nove ausências, entre elas a do presidente, Juca do Guaraná (MBD), tendo recebido votos contrários de Maysa Leão (Cidadania), Edna Sampaio (PT) e Mário Nadaf (PV). “Eu não sou fascista e não apoio uma polícia que mata porque polícia para matar é milícia, não polícia”, disse a vereadora.

Também estiveram ausentes da votação os vereadores Renivaldo Nascimento (PSDB), Dr Luiz Fernando e Eduardo Magalhães (Republicanos), Cezinha Nascimento (PSL), Lilo Pinheiro (PDT), Alex Rodrigues (Progressistas), Marcus Brito Junior (PV) e Wilson Kero Kero (Podemos).


Ato


O protesto contra as mortes ocorridas no Rio de Janeiro é o mote principal de um ato que acontecerá nesta quinta (13) às 18 horas, na praça da Mandioca, região central de Cuiabá, com o tema “Nem bala, nem fome, nem Covid”.

Promovida pelo coletivo Coalizão Negra por Direitos, a programação faz parte de uma mobilização nacional, que contará com atos similares em várias partes do país.


O evento também faz referência às vítimas da Covid-19, a maior parte delas negras, parcela da população que responde por mais de 60% dos casos em Mato Grosso e também é a mais afetada pela crise financeira agravada pela pandemia.

Projeto de lei


Nesta quinta, a vereadora apresentou à Câmara o projeto de lei que cria a Renda Emergencial Básica de Cidadania, pela qual concede o direito a um contingente de até 20 mil pessoas residentes em Cuiabá ao recebimento de um benefício de R$ 1.100,00 por mês enquanto durar a pandemia.


“A guerra é contra os pobres”, disse ela, em referência às vítimas da chacina. “Policiais não são assassinos e o estado não tem autorização para matar os pobres e pretos, é uma vergonha esta casa votar este tipo de expediente”.