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Militarização em VG: Edna comemora vitória de alunos contra governo



”Mendes vai na contramão do momento histórico de crítica ao militarismo”




Durante entrevista à TV 61, nesta terça-feira (24), a vereadora Edna Sampaio (PT) comemorou a rejeição à militarização da escola estadual Adalgisa de Barros, em Várzea Grande, definida em assembleia, na noite desta segunda-feira (23), onde alunos, pais e professores decidiram, por aclamação, recusar a proposta.



O processo de militarização da escola vinha sofrendo críticas e sendo alvo de denúncias por parte dos estudantes, que acusaram a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e políticos e militantes bolsonaristas de coação e intimidação da comunidade escolar para que a medida fosse aprovada.



Durante uma assembleia, em dezembro passado, eles denunciaram a intimidação feita por militantes, policiais e políticos bolsonaristas na escola, cuja violência provocou tumulto, levando ao adiamento da votação.



Os estudantes também sofreram ataques da vereadora Rosy Prado (UB), que afirmou, em uma entrevista, que teria visto alunas drogadas e deitadas no chão, durante a assembleia.



Em resposta, os alunos realizaram, no final de dezembro, um protesto na Assembleia Legislativa e emitiram uma nota de repúdio. Nesta segunda (23), eles também protestaram publicamente e se mobilizaram, em massa, contra a medida.



Para Sampaio, que é professora, a derrota do projeto militar mostra a força da comunidade escolar contra o autoritarismo e contra a visão restrita de educação do governador Mauro Mendes.



“É um absurdo que um governo possa achar que a escola - que não é simplesmente um prédio, um professor, mas é o contexto social que une as pessoas, um equipamento fundamental, talvez o mais antigo e que envolve concepções, formação para cidadania, afeto além do exercício profissional - seja compatível com a militarização”, disse.



“A militarização é totalmente incompatível com a ideia, os estudos que temos no campo da educação. Nós, professores, que estamos engajados na luta pela educação, sabemos o quanto nos custou uma escola democrática e a reivindicação de uma escola de qualidade. A disciplina escolar não é a disciplina militar”.



Para a vereadora, Mendes vai na contramão do momento histórico atual, em que a cultura militar está em xeque.



“Deveríamos estar aproveitando esse momento - em que setores da força policial, militar, do Exército se comprometeram com os atos de vandalismo, terrorismo e golpismo; em que temos as consequências dessa cultura militar esvaziada de conteúdo que se opõe ao seu próprio povo - para questionar isso. E o governo de Mato Grosso quer continuar implantando um projeto político fracassado de militarizar escolas onde os professores deveriam estar sendo capacitados e valorizados", afirmou.



Na visão da parlamentar, Mendes é cruel com os servidores públicos, principalmente com os professores, e adota a política de desmonte da educação e de ausência de apoio aos municípios, a maioria dos quais depende do Estado e da União para financiar a educação.



“Entramos num processo de extrema crise e, como se não bastasse, o governador insiste em um projeto político que entra em confronto com tudo que nós, educadores, pensamos. Como diria Paulo Freire, precisamos de uma pedagogia da autonomia e esses alunos da escola Adalgisa de Barros demonstraram sua autonomia, altivez e capacidade de mobilização para enfrentar o retrocesso", disse.




Ela destacou o apoio de seu mandato a esta pauta e citou o espaço que abriu para a participação da aluna da escola Adalgisa, Clara Luz Caetano Rodrigues, na tribuna livre da Câmara Municipal, em dezembro passado, o qual gerou críticas dos vereadores bolsonaristas.



Também citou o apoio à mobilização popular que conseguiu reverter o processo de militarização na escola estadual Malik Didier Namer Zahafi, no bairro Pedra 90, e a tentativa frustrada de intervir também na antiga escola estadual Presidente Médici, hoje Escola Militar Dom Pedro II.




“É um absurdo querer colocar o regime militar, a cultura militar dentro de uma escola, especialmente quando as escolas estão completamente abandonadas e não existe uma política pública educacional para avançar na recuperação da aprendizagem dos alunos, que foi deixada à sua própria sorte nesses anos de pandemia”, disse.

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