Mães de luta

Por: Edna Sampaio


Tenho muitas lembranças de minha infância. Algumas muito divertidas outras muito tristes.

Lembro das brincadeiras de pega-pega na rua onde minha avó morava e reunia todas as filhas e netos.

A vizinhança inteira formava uma grande família e, as crianças uma irmandade barulhenta e risonha.


Mas, nem tudo era riso. Ser pobre é algo terrível que eu conheço muito bem. Sei quando um pacote de arroz ou feijão é tudo que se pode comprar. Quando comer carne é um sonho inalcançável e, passar a semana sem ingerir proteína era inevitável porque o dinheiro não dava.


E quantas vezes a comida se resumia a arroz sem sal e toucinho frito para dar aquele gostinho bom do sal na gordura frita em pedaços?! E noutras horas, nada a comer.


Quando o gás de cozinha não cabia no bolso, as panelas desciam ao chão em tacuru ou fogo na lata ou, o fogão a lenha improvisado para cozinhar o feijão e economizar o gás. A água encanada na cozinha era um sonho pra meninas como eu, acostumada a lavar panelas em giraus improvisados à beira do tanque ou em baldes de águas, carregados na cabeça desde a “mina do Toma”.


Água encanada, torneira na pia, gás no fogão eram para nós o sinal mais evidente de ostentação. Um luxo!

Quando eu era criança, a pobreza não era problema para os governantes, nem para os ricos. Não havia trabalho para todos, nem bolsa família, nem auxilio emergencial...a pobreza era tida como responsabilidade dos próprios pobres e não o resultado da injustiça social, da ganância de alguns e da ausência criminosa do Estado.


O tempo passou e eu superei a fome e a pobreza. Cresci esperançando um país justo, solidário, onde a fome fosse coisa do passado distante, do qual não queria lembrar.


Mas, neste dia das mães, eu sei que muitas mães vão chorar como minha mãe chorou quando nada tinha para dar aos filhos. E filhos vão chorar a ausência de suas mães, de seus pais, mortos pela COVID-19, pelo genocídio em curso. Voltamos à pobreza, à miséria que impõe a fome. Há mães que choram a barriga vazia de seus filhos.


Mas, desta vez, não vamos deixar de lembrar que a pobreza e a fome não são culpa de quem sente, de quem tem fome. Num Estado rico como Mato Grosso, a única razão para alguém passar fome é por egoísmo dos que tem o prato farto e, a ausência criminosa dos governantes que só governam para os ricos, que fazem a festa com o dinheiro que é nosso!


Os governos do PT tiraram o Brasil do mapa da fome, deram emprego, casa ao povo trabalhador, universidade aos seus filhos e, a pobreza foi sendo deixada para trás. Hoje, os governos dos homens cruéis nos fizeram voltar à fome e, as mães choram, como a minha chorava. Porque nada é mais triste que a fome e a fome dos filhos.

Neste dia das mães, nós do Mandato Coletivo pela Vida e por Direitos, juntamente com o Partido dos Trabalhadores, exigimos RENDA a quem tem fome.


Renda como direito fundamental e, não como esmola.

Colocamo-nos na resistência com todas as mães e toda classe trabalhadora empobrecida. Nossa luta é para que todas as famílias tenham direito a comida nas suas mesas porque a fome é uma imoralidade dos ricos contra os pobres.


Queremos, com esta luta, homenagear todas as mães que dão a vida por outras vidas. A elas nosso carinho, solidariedade e resistência. Que a força de nossa maternidade, nossa potência amorosa, nos una numa grande corrente por dias melhores.

RENDA BÁSICA JÁ!! Parabéns a todas as mamães, todas de luta!