Lira e o Centrão não vão mover uma palha sem pressão popular, diz Edna



O “superpedido de impeachment” requerendo a saída de Jair Bolsonaro (sem partido) da Presidência da República foi protocolado na tarde desta quarta-feira (30.06) na Câmara Federal, em Brasília. Ao todo, 123 pedidos de impeachment foram unificados em um único processo, que apontam para 23 crimes supostamente cometidos pela gestão federal.


De Cuiabá, a vereadora Edna Sampaio (PT) participou dos atos em Brasília e, segundo ela, o clima é de indignação e o próximo passo seria intensificar manifestações de rua – a próxima ocorre dia 3 de julho em todo país. De acordo com a parlamentar, o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL) e deputados do Centrão tendem a ignorar o superpedido de impeachment, caso não haja pressão popular.


“O Arthur Lira e os deputados do Centrão não vão mover uma palha se não houver pressão popular. O Brasil precisa se levantar contra essa situação absurda. É preciso agora pressionar o presidente da Casa para abrir o processo de impeachment. O clima é de exasperação, de indignação, principalmente com o último achado da CPI em relação à compra da vacina, que deixou todo mundo muito estarrecido com a capacidade do governo em arquitetar estratégias de corrupção em cima de uma situação trágica. São mais de meio milhão de mortos e há evidências incontestáveis de que essas mortes poderiam ter sido evitadas, mas o governo não fez. Não porque é só negacionista, mas também porque é um governo que pratica corrupção”, disse ela.


Ao PNB Online, Edna disse que ficou impressionada com a ativa participação de ex-aliados de Bolsonaro no ato, como os deputados Kim Kataguiri (DEM), Alexandre Frota (PSDB-SP) e Joyce Hasselman (PSL-SP). Entre os argumentos do pedido, está a suposta prevacarição do presidente no caso da suspeita de corrupção no contrato de compra da vacina indiana Covaxin.


“Eu fico impressionada de ver como em pouco tempo a situação mudou tanto. Em pouco tempo, a gente via os movimentos de ruas sendo liderados pelo MBL (Movimento Brasil Livre), pelo Kim Kaguri, e ele hoje estava aqui falando sobre sua posição, de não ter vergonha de estar do lado certo. A Joyce, que foi líder do governo, se desculpou por ter ajudado a eleger o Bolsonaro, e o Frota que também se elegeu na onda Bolsonaro. Estavam todos aqui. Eles representam de forma muita categórica a expressão da luta pela democracia no Brasil”, completou Edna.



O SUPERPEDIDO


Diversas organizações da sociedade civil, movimentos cívicos e artistas se uniram para lançar a campanha SuperImpeachment de Bolsonaro. O objetivo é pressionar o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), a acolher a ação. Lira estaria ignorando, pelo menos 21 possíveis crimes de responsabilidade - e também o escândalo da vacina com propina, revelada na última semana pela CPI da Covid.


Por meio do site da campanha (www.superimpeachment.org), cidadãos poderão enviar e-mails diretamente ao presidente da Câmara, demandando ação imediata. A iniciativa é do Acredito, Agora, Bancada Ativista, Muitas, Ocupa Política, CMP, Instituto Marielle Franco, MTST, Nossas, Ocupa Política, UNE e 342 Artes. A campanha está aberta à inclusão de novas organizações e movimentos.


“Esse ato demonstram que o incômodo com o governo Bolsonaro não é algo que passa apenas pela esquerda, mas pela direita, centro-esquerda e todos entendem a necessidade de afastar Bolsonaro da presidência da república. São muitas hipóteses de crimes”, afirmou Edna Sampaio.



Fonte: Site PNB OnLine