Edna denuncia racismo em escolas e cobra políticas de combate





A vereadora Edna Sampaio (PT) afirmou que recebeu outras denúncias de racismo ocorridas na Escola Estadual Leônidas Antero de Matos, no Bairro CPA III e em outras unidades de ensino, depois da repercussão do caso de racismo envolvendo uma aluna da escola que desmaiou após receber um golpe de "mata-leão" de um colega, durante uma agressão motivada por racismo, e que teve como alvo seu cabelo crespo.




A parlamentar enfatizou como as manifestações de racismo e o clima de ódio existente no país têm atingido as crianças negras nas escolas.




“É impressionante a quantidade de denúncias de racismo que têm chegado até nós, e como este clima de ódio tem vitimado as pessoas mais inocentes, que mais precisam da proteção do estado. Recebi mensagens de pessoas que têm filhos nesta escola me dizendo que não é a primeira vez que ocorrem situações de bullying neste estabelecimento”, disse.





A vereadora, que esteve nesta quarta-feira (1º) na conferência de avaliação do Plano Municipal de Educação, destacou a importância de pautar a questão da igualdade racial na política de educação como um todo e no plano municipal de educação.





“Não podemos seguir discutindo políticas públicas sem discutir a desigualdade racial. É incrível como há um apagamento deste tema. É como se não existissem negros, pessoas que são vítimas de violência racial”, disse.




A parlamentar comentou sobre a importância da formação sobre o tema nas escolas, tendo em vista que o ato racista, no caso da escola Leônidas, foi cometido por crianças.




“Ninguém nasce racista. Se uma criança é racista, há um adulto ensinando-a e nós não podemos, como poder público, ficar omissos em relação ao que está acontecendo em uma instituição que deveria ser acolhedora, de emancipação de seres humanos e que, pela falta de políticas de educação, está abandonada à violência que está posta nessa sociedade”.





Ela destacou que o racismo perpassa todas as instituições sociais e que inserir a questão na pauta da educação será um avanço para toda a sociedade.




“Muitos acham que, quando eu falo de racismo, estou falando de uma questão identitária, que diz respeito à presença do negro nos espaços de poder, mas o racismo perpassa todos os espaços de vivência da sociedade. Inserir a questão racial no plano municipal de educação significa melhorar a escola para todo mundo”.




“Estamos criando um caldeirão social, que vai explodir num futuro próximo, se não tomarmos consciência do que está acontecendo. Estamos nos tornando uma cidade e um país que deixa, passivamente, que os mais vulneráveis sejam vítimas da política do ódio, do desprezo pelo outro Isso é muito grave, pois, em contrapartida, não temos resposta do poder público para isso”, disse ela.




Exclusão da educação




A vereadora destacou o cenário atual, em que tem se reduzido o acesso das pessoas negras à educação em todos os níveis, citando, como exemplo, a diminuição de seu ingresso no ensino superior, que tem entre suas causas o empobrecimento das famílias.




Durante entrevista concedida nesta quarta-feira, ela criticou a proposta de cobrança de mensalidades nas universidades, destacando a necessidade de assistência estudantil para estes estudantes, destacando que 60% dos alunos das universidades públicas são negros e oriundos das classes trabalhadoras, beneeficários de cotas, e que a defesa da cobrança de mensalidade parte da visão da educação supeior como apenas mais um nicho de mercado.




“Para além de um bem cultural e econômico, a educação é também um bem simbólico, um veículo de construção da soberania de qualquer país e deve estar acessível às pessoas de acordo com seu talento intelectual e não com sua condição econômica”, disse.