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Edna propõe debate sobre desigualdades raciais no acesso à Justiça


A vereadora Edna Sampaio (PT) comentou durante sessão ordinária, nesta terça-feira (9), na Câmara Municipal, a polêmica criada pelos bolsonaristas a partir de manipulações das declarações dadas por ela sobre o tratamento desigual dado pela Justiça e pela Polícia a praticantes de crimes que sejam negros e pobres.


Em uma entrevista de mais de uma hora a um site, ela discutiu a relação entre a exclusão social, racial e a criminalidade, salientando como negros e pobres são alvos preferenciais da violência policial e do encarceramento, defendendo acesso igualitário à Justiça.

No entanto, um fragmento da sua fala foi retirado de contexto, para acusá-la de defender o crime. A reprodução por adeptos do bolsonarismo no estado ganhou repercussão nacional e a notícia chegou a ser compartilhada por ícones do bolsonarismo, como a deputada federal Bia Kicis (PL) e o empresário Luciano Hang, conhecido como "Véio da Havan".

“Tenho a impressão de que uma mulher negra, ocupando um espaço de poder tratando de assuntos relacionados a um povo que é maioria, mas é silenciado nesses espaços, incomoda muita gente, causa muita repercussão”, disse.


A parlamentar disse considerar positivo que esta situação tenha fortalecido sua imagem como candidata anti-bolsonarista. “Acho muito bom que as pessoas saibam quem é quem nessa política e reconheçam seus iguais. Sou anti-bolsonarista, pois sou mulher, preta, militante, professora e venho da luta por direitos e pela vida”.


Ela argumentou que a questão racial precisa ser encarada no Brasil, onde os negros compõem 55% da população, 53% do eleitorado em nível nacional, mas representam apenas 30% dos cargos de gerência nas empresas e 24% entre os Deputados Federais. Por outro lado, os negros são 71% das pessoas assassinadas, mais de 60% da população carcerária e 76% das vítimas de ações policiais.


“Se não admitirmos que as estruturas sociais excluem pessoas negras do poder, que temos uma estrutura racializada que impede mais pessoas negras de ocuparem esses espaços e debater essa desigualdade, não vamos romper com esse problema estrutural”, disse.

Para Edna, é preciso discutir como o Estado e a legislação são usados para promover privilégios e propagar a falsa ideia de democracia racial.


A parlamentar também destacou que ela própria está sendo alvo de violência racial e política ao ser associada ao crime.

“Impossível debater com quem não tem amor pela verdade. Mas não vamos superar as mazelas deste país enquanto não admitirmos o quão racista é a nossa sociedade. Não há preto ou preta neste país que não tenha experimentado o racismo. Pode ser que não queiram falar, pois a dor de estar sendo atacado por sua condição racial é muito grande, mas este é um país extremamente racista”, disse.



Por: Neusa Baptista Pinto

Assessoria de Comunicação

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