Edna destaca desresponsabilização do estado em relação a doenças que atingem pobres





Durante a live “ A contribuição legislativa na construção de uma política pública mais acessível às doenças negligenciadas”, nesta quarta-feira (18), a vereadora Edna Sampaio (PT) salientou o recorte social da disseminação deste grupo de doenças (entre elas a hanseníase, a esquistossomose e a leptospirose) cuja incidência está relacionada às más condições de vida das populações pobres.


A atividade foi realizada pela parlamentar em parceria com o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e a Rede Hans Mato Grosso.


Segundo ela, o cenário político atual, em que o estado está comprometido com interesses particulares e com a privatização dos serviços, é responsável direto pela disseminação destas enfermidades.


“Estamos tratando da ponta do iceberg de um problema social que é estrutural, a desigualdade social. Quando falamos das doenças negligenciadas, não falamos apenas dos doentes, mas de uma estrutura social que invisibiliza os mais pobres”.


Edna destacou que, apesar de haver mais de um bilhão de pacientes no mundo, falta investimento em pesquisa e inovação sobre estas doenças.


“O medicamento para tratamento da hanseníase, por exemplo, foi produzido há 30 anos e provoca efeitos colaterais muito graves, mas não temos uma indústria farmacêutica interessada em investir em inovações para combater isso, pois são doenças que acometem pessoas muito pobres, que não irão auferir lucros para a indústria farmacêutica”.


Segundo dados do Ministério da Saúde apresentados durante o evento, a região nordeste lidera o ranking nacional em casos de hanseníase, com 43% das ocorrências o norte concentra 19% dos casos o Centro-Oeste, 20% a região sudeste, 15%, e o sul, 4%.

No país, em 2020, os casos se concentraram nos estados do Maranhão (mais 84,6 mil) Pará (83,4 mil) Mato Grosso (63,7 mil) Pernambuco (57,3 mil) e Bahia (52,4 mil).


A parlamentar salientou a desresponsabilização do poder público com a causa.


“Quando eu negligencio doenças que, ao longo do tempo, podem incapacitar pessoas que já vêm de uma classe social desprivilegiada, estou condenando-as à morte, pois, para além da doença, as estou excluindo de oportunidades de trabalho, remuneração, educação".


Em 2020, somente na Baixada Cuiabana, foram identificados quase 450 casos de hanseníase. As entidades de defesa dos pacientes apontaram a falta de um protocolo de cuidados com estas doenças e a redução no acesso a serviços de saúde e assistência social, que se agravou devido à pandemia de Covid-19.


“Se nestes municípios não houver fortalecimento da educação básica, da infraestrutura de acolhimento na atenção primária, não daremos conta dessa demanda. Precisamos pensar neste contexto, adequando não só a estrutura, mas também investir na formação, que é essencial”, disse a coordenadora da Rede Hans Mato Grosso, Closeny Modesto, uma das participantes.


“Não é sobre as doenças em si, mas sobre a estrutura de sociedade que temos e sobre a desigualdade no acesso ao poder, que relega os mais pobres à negligência", disse a vereadora.