Edna defende democratização do poder e maior participação das mulheres na política

Em entrevista ao podcast Conexão MT 251, em Chapada dos Guimarães, com a jornalista Katiana Pereira, nesta quinta-feira (24), a candidata a deputada estadual Edna Sampaio (PT) defendeu a democratização do poder e a ampliação da participação das mulheres nos espaços de decisão.
Segundo ela, a presença feminina na política é fundamental para enfrentar as desigualdades, combater a violência contra as mulheres e construir políticas públicas voltadas às necessidades da população.
Edna afirmou que construiu seu feminismo a partir da relação concreta com a realidade e da observação da ausência das mulheres nos espaços de poder e das consequências dessa desigualdade para toda a sociedade. Segundo ela, a experiência na Câmara Municipal de Cuiabá aprofundou essa percepção.
“Quando entrei na Câmara, achei que faria ali uma discussão sobre políticas públicas. Mas fui atravessada pela violência política de gênero”, relatou.
De acordo com Edna, suas posições políticas, suas qualidades e as divergências que mantinha com outros parlamentares passaram a ser utilizadas como motivo para sua exposição e execração pública.
A candidata também afirmou que sofreu ataques por não compactuar com acordos estabelecidos entre vereadores. Para Edna, as duas cassações que sofreu, ilegais e baseadas em falsas acusações, fizeram com que compreendesse de forma ainda mais concreta os limites da atuação política quando uma mulher negra, trabalhadora e integrante das camadas populares enfrenta diretamente estruturas de poder.
Ela relacionou essa experiência à baixa presença feminina nos espaços de decisão. Como exemplo, citou a composição do Supremo Tribunal Federal (STF), majoritariamente masculina, e fez críticas a casos envolvendo ministros que estariam relacionados ao escândalo envolvendo o banco Master.
“Temos uma sociedade exclusivamente dirigida por homens. E quando pensamos que as mulheres são 51,4% da população de Mato Grosso, eu pergunto qual o papel as mulheres têm tido na política, que tem levado este estado a ser o mais violento contra nós?”, questionou.
Edna também destacou que a violência produzida pelas estruturas sociais não atinge exclusivamente as mulheres. Segundo ela, os homens da classe trabalhadora também são afetados por um sistema que reproduz comportamentos violentos.
“Quando falamos da vida das mulheres, não estamos falando apenas delas, mas da vida em sociedade. Quando uma sociedade se volta contra as criadoras da vida, que são as mulheres, as mães, é porque esta sociedade adoeceu”, afirmou.
Para a candidata, a superação desse cenário passa pela ampliação da participação feminina nas decisões políticas. “A única forma de construir uma saída para isso é democratizando o poder. Os homens não podem achar que têm que ter 100% do poder. Nós, mulheres, também precisamos tomar parte disso”, concluiu.
Edna afirmou ainda que temas como educação e habitação poderiam ser conduzidos de forma mais eficiente com maior participação das mulheres na formulação das políticas públicas, por considerar que elas possuem uma visão mais abrangente sobre as transformações necessárias para o avanço da sociedade.
A candidata também criticou prioridades do governo estadual, citando investimentos no Parque Novo Mato Grosso em detrimento, segundo ela, da redução das filas de cirurgias no SUS, da ampliação das delegacias da mulher e da oferta de creches. Para Edna, são demandas que impactam diretamente a vida das mulheres e que deveriam receber maior atenção do poder público.
“A pauta das mulheres está diretamente ligada à democracia e à preservação de vidas. Para transformar essa realidade, é fundamental ocuparmos esses espaços de poder. Exigimos a garantia de condições adequadas para a participação feminina e, embora essa mudança seja gradual, precisamos começar”, destacou.
Uma mulher de luta e coragem
A atuação marcada por posicionamentos críticos em relação ao poder público também esteve presente na trajetória política de Edna Sampaio.
Diante disso, em 2023, quando era vereadora por Cuiabá, foi injustamente alvo de um primeiro processo de cassação, baseado em falsas acusações de suposta prática de “rachadinha” e de uso da verba indenizatória de sua então chefe de gabinete.
Edna sempre negou as acusações e denunciou perseguição política e violações ao seu direito de defesa. O caso teve ampla repercussão na imprensa local e provocou gravíssimo desgaste de sua imagem pública.
Mas a verdade prevalece. Posteriormente, a Justiça reconheceu o cerceamento de defesa e anulou a cassação, permitindo seu retorno ao cargo.
O episódio, porém, não encerrou o enfrentamento. Em março de 2024, foi alvo de novo processo de cassação, sob as mesmas falsas acusações e, em junho, foi novamente cassada, ficando impedida de disputar as eleições municipais de 2024 em razão da inelegibilidade decorrente da decisão.
Mas a verdade tarda, mas não falha. Em dezembro de 2025, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso anulou o segundo processo de cassação, reconhecendo cerceamento de defesa e afastando os efeitos da inelegibilidade.
Mesmo diante da exposição pública, das críticas e dos impactos políticos e pessoais dos dois processos, Edna manteve sua atuação política.
Em agosto de 2025, ocupou o cargo de deputada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, onde ampliou sua atuação na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento da violência de gênero.
Como presidenta da Câmara Setorial Temática (CST) sobre Feminicídio, coordenou um trabalho que resultou em relatório final com diagnóstico das falhas estruturais do poder público na proteção das mulheres e recomendações para fortalecer as políticas de prevenção e enfrentamento à violência.
É nesse percurso que se insere a proposta de construção de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) à Constituição de Mato Grosso, para incluir no texto constitucional o combate à desigualdade de gênero como política permanente de Estado e ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão.
A proposta representa o desdobramento de uma trajetória de enfrentamento e superação e de defesa da democracia.
Saiba mais sobre a PEC aqui: https://deputadapelasmulheresvivas.com.br/





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