Edna afirma que a conduta de Paccola é política e defende debate sobre armamento

Atualizado: 8 de jul.


A vereadora Edna Sampaio (PT) rebateu nesta terça-feira (5) as acusações de que estaria havendo uso político do pedido de afastamento apresentado por ela à Comissão de Ética da da Câmara Municipal contra o vereador Marcos Paccola (Republicanos), réu confesso da morte do agente penitenciário Alexandre Miyagawa.

No documento, ela argumenta que a conduta de Paccola feriu o decoro parlamentar e promoveu o rebaixamento da Câmara.

“A Câmara é uma Casa de Leis, uma casa política. Todas as nossas atitudes são políticas: a atitude de falar e de silenciar, a de se solidarizar com um ou com outro lado. Dizer que o que está acontecendo não é uma questão política é tentar silenciar aqueles que querem refletir sobre o episódio”, disse ela.

A vereadora apontou as posições de Paccola como políticas.

“Tenho ouvido discursos de ódio produzidos pelo vereador Paccola. É uma posição política dele, que fez política o tempo todo em relação a isso. Fez política quando disse que teria munição para atingir 500 petistas; fez política quando defendeu que bandido tem que ser morto, quando cruzar com a polícia; fez política ao ser coordenador de uma organização nacional chamada Pró-armas e ser candidato apoiado por esta organização”, disse.

Para a parlamentar, o assassinato de Miyagawa foi um ato político, resultado de uma ideologia que justifica a morte de qualquer pessoa que represente risco.

“Olhem as redes sociais do Paccola para entender exatamente a dinâmica que presidiu a percepção dele sobre aquela situação, uma percepção fundada em suas crenças. Isso é política”, argumentou.

A vereadora também rebateu as críticas de que o debate fugiria da competência da Câmara por estar sub júdice. “Quando apresentamos o pedido de Comissão Processante contra o prefeito, não argumentamos sobre a necessidade de se esperar uma decisão judicial para aprovar a abertura da comissão. Os vereadores defenderam a abertura imediata da comissão e estávamos corretos, pois essa é a prerrogativa da Câmara”, disse ela.

“A Câmara não é delegacia, nem poder judiciário. Mas, se num crime de corrupção, com processo ainda em andamento, defendemos uma comissão processante, imagine em um crime de homicídio com réu confesso?”.

Edna também argumentou que a gravidade dessa situação supera a acusação de conduta sexual imoral que levou à cassação do então vereador Ralf Leite, em 2009.

Em sua opinião, discursos de ódio não podem extrapolar a legislação e o papel institucional da polícia, e o conceito do policial justiceiro não representa o pensamento da maioria da corporação.

“Não é pessoal, não é sobre a pessoa do Paccola e sua família - que está sofrendo muito e com a qual me solidarizo - é sobre defender a violência como forma de combater a violência, defender a ação policial fora dos ditames da lei”, disse.

“Não precisamos de justiceiros, precisamos de leis, de um estado correto, de uma polícia que saiba de seu papel. Quando a polícia defende que seu papel é matar as pessoas, deixa de ser polícia, pois no Brasil não há pena de morte, não há legislação que diz que ‘vagabundo tem que ser morto ao cruzar com a polícia’. Ninguém está autorizado a agir fora da lei”.