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Durante “Festa do Proletariado”, Edna denuncia violência política de gênero





Por: Neusa Baptista Pinto

Fotos: Victor Ostetti


Durante ato público realizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) durante a programação da “Festa do Proletariado”, em Cuiabá, a vereadora Edna Sampaio (PT) afirmou que não ficará inerte diante da violência de gênero que tem sofrido cotidianamente no exercício do mandato.


Ela disse que tomará medidas para garantir que haja justiça na tramitação dos pedidos de abertura de processo junto à Comissão de Ética da Câmara contra ela.



“Estou sendo acusada de fazer 'rachadinha' por ter movimentado o recurso na conta para executar as despesas. Mas não é sobre verba indenizatória, não é sobre verdade, é sobre mentira. É sobre não permitir que, uma política extremamente conservadora, num estado que elegeu Bolsonaro com 65% dos votos, eles não permitem que nós, da classe trabalhadora, ocupemos um espaço legítimo, eleito pelo voto popular, eleito sem distribuir cesta básica, sem dar dinheiro, enganar, nem mentir para ninguém”, disse.





“Se a Comissão de Ética acolher um pedido de cassação do nosso mandato baseado em uma fake news e em um processo violento de violência política de gênero, acionarei a Câmara Municipal de Cuiabá, pois não aceito e não admito ser tragada dessa forma, ser vítima de violência política de gênero e ficar calada”, afirmou.




A festa reuniu representantes dos movimentos sociais negros, sindical, de mulheres, estudantil e por reforma agrária, lideranças comunitárias, artistas e outros apoiadores do mandato.



Em sua fala, a vereadora afirmou que desde o início de seu mandato tem sofrido perseguições na Câmara e que tinha conhecimento de que as sofreria por ser de esquerda, tocar em temas que não são debatidos na Casa e conduzir um mandato coletivo, mas construiu uma política de boa convivência neste espaço.



Ela destacou o valor histórico da realização de um evento com a presença de instituições, coletivos e pessoas para defender um mandato, avaliando que essa é uma grande realização em um período em que a política é criminalizada e a imagem do político é associada à corrupção.




“Um mandato não é uma pessoa, não é propriedade de ninguém. É um esforço coletivo de pessoas que acreditaram num projeto representado por alguém que pode com legitimidade representar aquilo que cada um acredita. Se eu encerrasse hoje a minha carreira política, diria que já consegui uma coisa extraordinária, que é fazer com que as pessoas se levantassem para defender alguém que está na política”, disse.



A vereadora observou que não é fácil estar na política para quem é da classe trabalhadora e vem de uma luta por igualdade que se estende para além dos mandatos, e que isso se torna mais difícil para mulheres negras.



“Participar da política é saber que se vai estar em uma vitrine, suscetível a todas as formas de violência. Mas participar da política sendo uma mulher negra, uma pessoa daqui deste lugar, originária dos povos que vieram para cá escravizados, dos indígenas que foram dizimados, é não ser alguém que pertence e que fala pelo poder”, disse.



“Não sou da cuiabania, que designa a elite que vive aqui. Sou uma representante da cuiabanidade, da classe trabalhadora, uma representante legítima do povo preto, daqueles que lutam por espaço por suas pautas e não conseguem ter porque essa política é completamente dominada por interesses privados”.




O evento reuniu lideranças do partido, entre elas o deputado estadual Lúdio Cabral, a ex-vereadora Enelinda Scala, a ex-senadora Serys Slhessarenko e o coordenador do Diretório Municipal do Partido, Elisvaldo de Almeida.


Ele observou que os ataques à vereadora começaram poucos dias após o ato do Diretório Municipal, realizado em 27 de abril, quando o partido reafirmou sua intenção de lançar candidatura própria e sua posição de oposição ao prefeito Emanuel Pinheiro.

“É interesse de muitos que o PT não tenha voz na Câmara de Vereadores, silencie, e não vamos fazer isso. O PT tem o maior orgulho de ter eleito a vereadora Edna Sampaio. É um mandato que representa a classe trabalhadora, o partido e é um mandato que nos enche de orgulho. Estamos aqui para reafirmar. Estamos juntos, permanecemos juntos e caminhamos juntos. Nunca tivemos uma oportunidade tão forte de reafirmar aquela frase: Ninguém solta a mão de ninguém. O partido está forte e uno”, disse Almeida.

João Dourado, diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), afirmou que a vereadora trouxe para a visiblididade a voz dos negros e pessoas da periferia e que, por isso, tem sofrido ataques dos que defendem o machismo, a misoginia e o extremismo e que um ataque à parlamentar é um ataque à classe trabalhadora. “É a única negra vereadora e representa a todos nós e por ela vamos lutar, trazer nossa força, pois confiamos nela. Fui conselheiro de saúde na mesma época em que ela também exercia essa função. Sempre foi aguerrida, lutadora, conhecedora de políticas públicas, do orçamento e nunca ficou calada. Nós lutamos muito”, disse.


A ex-senadora Serys Slhessarenko, que hoje está no PSB, recordou as perseguições que sofreu durante os 20 anos em que exerceu mandatos parlamentares pelo PT e como senadora, durante os oito anos do governo Lula, e reafirmou sua defesa à vereadora Edna.



“Eu sei porque já vivi isso. Vivi três mandatos de deputada apanhando dia e noite sem parar. Gente do meu tempo sabe o que fizeram comigo. De mandante de assassinato a tudo mais de barbárie que fizeram contra mim”, disse.

"Vamos fazer todo o possível para todo mundo ajudar para defender o mandato. Porque é uma questão de discriminação de gênero, de racismo, sim. É uma questão ideológica, sim, pois a ideologia é que ‘pega’. Disso eu entendo, não precisa me contar, pois o que passei ninguém que teve mandato passou”.

Um dos líderes da luta pelos direitos das pessoas LGBTQIA+, Clóvis Arantes, q que é co-vereador do mandato, destacou que o mandato coletivo realiza assembleia, onde as prestações de contas são apresentadas e que foi definida coletivamente a apresentação deste documento aos vereadores, conforme foi feita na sessão ordinária da última quinta-feira (11).

“Mas não tem nada a ver com prestação de contas, nem com rachadinha. Tem a ver com gênero, com mulher negra e precisamos dialogar sobre isso, colocar essa discussão na pauta de todos os dias. É perseguição a um mandato que claramente defende as mulheres, a população negra, LGBTG, a mais vulnerável. É uma disputa política, é para disputar a narrativa. Não vamos permitir que haja um golpe contra um mandato coletivo e popular", afirmou.


O evento contou com representantes de movimentos sociais e lideranças de bairros, entre eles o líder comunitário do bairro Novo Paraíso, Emídio de Souza, representante da Associação Comunitária de Habitação do estado de Mato Grosso.

“Nós, da sociedade, sabemos do trabalho de Edna Sampaio, e pode contar conosco. Hoje represento uma associação e, só em Cuiabá, temos 22 mil associados. Logo que li as matérias que saíram e vi a defesa da Edna, deixei todos os meus companheiros de prontidão para, se necessário, encher as ruas em defesa dessa vereadora que representa toda a sociedade cuiabana”, disse ele. Durante o evento, a parlamentgar também recebeu o apoio de lideranças dos movimentos sociais que enviaram vídeos, entre elas a coordenadora nacional do Movimeno Negro Unificado (MNU), Ieda Leal. Segundo a coordenadora estadual do movimento, Isabel Garcia de Farias, foram feitas manifestações a favor da vereadora em todos os locais do país onde o coletivo está organizado. “Estou aqui hoje para abraçar Edna Sampaio, militante do MNU, defensora das causas feministas do nosso país. O movimento negro do Brasil e as mulheres negras do MNU estão com a Edna. Ela nos representa e significa para a gente a coragem de Tereza de Benguela, de Luiza Mahin, a resistência de Dandara”, disse Ieda.

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