Doenças negligenciadas: Edna cobra investimento



Parlamentar destinou R$ 500 mil a políticas de combate



A vereadora Edna Sampaio (PT) alertou nesta terça (1º) para o crescimento, em Mato Grosso e no país, das mortes por doenças negligenciadas, cujo surgimento é agravado pela condição de pobreza, entre elas a malária, a doença de Chagas, a leishmaniose, a tuberculose e a hanseníase.




A parlamentar apontou os impactos da falta de planejamento dos governos para enfrentamento à pandemia de Covid-19 sobre a qualidade do tratamento a estas doenças.


Estudo conduzido em parceria entre a Universidade de Córdoba (Argentina) e a Universidade Federal de Uberlândia (MG), divulgado esta semana, mostrou que no Brasil houve aumento de 82,55% na taxa de mortalidade e queda de 29,3% na de internações por doenças negligenciadas, no ano de 2020.


A pesquisa comparou dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS referentes aos primeiros oito meses de 2020 com valores de 2017 a 2019.


No período, cresceu em 32,64% a mortalidade por leishmaniose visceral e em 38,98%, os óbitos por leptospirose no país, enquanto as taxas de internação caíram em 32,87% e 43,59%, respectivamente.


Houve aumento de 14,26% na mortalidade e de 29,51% nas internações por dengue.


Os pesquisadores atribuem esta realidade à diminuição da assistência aos pacientes observada nos últimos anos e apontam um retrocesso de 10 a 20 anos nas políticas públicas voltadas ao combate a estas enfermidades.



Emenda


Uma emenda de autoria de Edna Sampaio ao orçamento municipal destinou R$ 500 mil à Secretaria Municipal de Saúde para elaboração de políticas contra enfermidades negligenciadas, uma demanda apresentada após diálogo com entidades como o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).



“É importante que a Secretaria de Saúde volte a olhar sobre estas doenças, que têm aumentado no Brasil e em Mato Grosso, que assuma para si a responsabilidade de combate a estas doenças, principalmente a hanseníase que, em Mato Grosso, é endêmica”,disse ela.



“Os pacientes ficaram, durante muito tempo, ao longo desta pandemia, desassistidos, por falta de médico, medicamentos e, neste sentido, acreditamos que é importante a alocação de recursos para o atendimento a estas pessoas. Quinhentos mil ainda é pouco; esperamos que o executivo invista mais”.