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Curso aborda fundamentos do racismo



Os fundamentos do racismo e a sua influência sobre o pensamento social brasileiro foram tema da terceira aula do curso “Educação antirracista: metodologia e base teórica para a produção de projetos”, promovido pela vereadora Edna Sampaio (PT) e pelo Mandato Coletivo pela Vida e por Direitos, nesta quinta-feira (26).




Um dos temas tratados na aula ministrada pela vereadora e pela sua chefe de gabinete e assessora, a jornalista, Neusa Baptista Pinto, foram as teorias que formaram o pensamento social do brasileiro sobre si mesmo e sobre o país no início do século XX.


Neusa Baptista abordou um capítulo de sua dissertação, “Ativismo de mulheres negras em Cuiabá: práticas de comunicação e vinculação social”, o qual trata das teorias que ficaram conhecidas como racismo científico.


Tais teorias defendiam a existência de raças humanas diferenciadas e com características morais, psicológicas e intelectuais distintas (poligenismo). Ele fundamentou teorias científicas racistas entre os séculos XVIII e XX, na Europa e, posteriormente, no Brasil.


Seus postulados se baseavam na crença no determinismo biológico, na existência de diferentes raças humanas e na superioridade da raça branca.


Também foi tratada a influência de tais teorias sobre a formação das Ciências Sociais no país, citando-se obras como Casa Grande e Senzalas, do antropólogo Gilberto Freyre, na qual foi baseada a ideia de democracia racial.


Edna Sampaio discutiu a tramitação do Estatuto Municipal de Promoção e Igualdade Racial, de sua autoria.


Ela falou sobre as bases do racismo nos processos de colonização e escravização de negros e indígenas e sobre a perenidade dessa ideologia ao longo da história.


Isso caracteriza o racismo como estrutural.


“Na Sociologia, quando há uma estrutura de poder que permanece ao longo do tempo e que é transmitida entre gerações, chamamos isso de instituição. Uma instituição não é um prédio, uma estrutura material, é um tipo de relação social que estrutura o comportamento das pessoas”, disse Edna.

“Toda a instituição tem um objetivo. O objetivo do racismo é expropriar o trabalho daqueles marcados pela sua natureza como negros”, afirmou.


“Não existe racismo reverso, nem preto racista. O racismo é uma estrutura de poder. Temos que entendê-lo para além da injúria racial, que é a manifestação mais visível do racismo. A parte perigosa do racismo não é explicada pela injúria racial. O racismo é uma estrutura de poder profunda nas nossas raízes de construção do Brasil”, disse.

Para Neusa, o curso está oportunizando o contato com as bases do racismo no Brasil e sua relação com a identidade nacional.


Isso ajuda a compreender como essa ideologia permanece e permite que ocorram violências como a que está vitimando a vereadora Edna Sampaio.


“É uma forma de nos compreendermos como nação, como povo e entender o por que, em pleno século XXI, ainda continuamos lutando contra essa estrutura construída historicamente por meio da opressão a nossos ancestrais. Esperamos poder contribuir para a formação de uma rede de educação antirracista em nossa capital”, disse Neusa.


A próxima aula será no dia 09 de novembro, com o tema “Literatura negra de autoria feminina no Brasil”, com a professora Rosângela Cardoso, de Maringá (PR), Doutora em Letras/Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM).


O curso é gratuito e aberto à toda a comunidade!


Os próximos encontros, nos dias 16, 23 e 30 de novembro, serão dedicados à orientação dos projetos trazidos pelos alunos.

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