Comissão Processante: Edna vota favorável, mas aponta interesses eleitorais

Por: Neusa Baptista Pinto

Assessoria de Comunicação


Apesar de ter votado pela abertura da Comissão Processante solicitada pelo vereador Tenente-Coronel Marcos Paccola (Republicanos) contra o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) para investigar o favorecimento de 46 pessoas na fila da vacinação contra a Covid-19, no ano passado, a vereadora Edna Sampaio (PT) enfatizou a contradição do pedido feito pelo republicano, adepto do movimento anti-vacina.


Ela apontou os interesses eleitorais do pedido, que foi rejeitado com 15 votos contrários na sessão desta quinta-feira (26) e como Paccola e demais apoiadores de Bolsonaro contribuíram para desinformar a população, a quem, hoje, devem um pedido de desculpas, em sua opinião.


A petista salientou que não havia muitos fatos novos na petição de Paccola, já que as irregularidades na condução das políticas de enfrentamento à pandemia são de conhecimento público e ela própria, desde o início do mandato, tem cobrado a apresentação de um plano municipal de vacinação, denunciando o fura-filas e a centralização dos postos de vacina.


“O fura-fila foi generalizado no processo de vacinação, em Cuiabá, todos sabemos disso. A novidade é que o chefe do executivo tenha conduzido um processo de fura-filas e isso é muito grave [...]. Meu voto não significou concordância com Paccola, pois ele representa a política de Bolsonaro, que pôs no fim da fila quase 500 mil pessoas, que não foram vacinadas porque a vacina não foi comprada, em 2020”, enfatizou.


A parlamentar enfatizou a gravidade da questão da vacina, que ela tem discutido reiteradamente na Câmara, mas cobrou coerência, lembrando que a maioria dos vereadores aprovou o retorno das aulas presenciais durante o pico da pandemia, mesmo diante da alta taxa de mortalidade por Covid entre os professores e se recusou a debater as indicações feitas por ela para priorizar os professores e outros grupos vulneráveis na fila de vacinação.


“Votei favorável, pois acho muito grave essa questão do fura-fila; discutimos exaustivamente a importância de se controlar isso. Mas meus colegas bolsonaristas, que defenderam a não vacinação como medida de liberdade individual, deveriam pedir desculpas. Neste momento, em que reduzimos drasticamente os casos e as mortes por Covid, acho que Paccola e os demais devem desculpas à população por terem defendido que cada pessoa se vacinasse quando quisesse e se quisesse”, disse.



“Obviamente, não podemos aceitar o fura-filas, mas não podemos, por outro lado, usar este discurso para fazer um debate público exclusivamente eleitoral, sem coerência com as posições defendidas anteriormente”.